Guillaume Corpart – Global Health Intelligence – Healthcare Market Insights for Emerging Markets https://globalhealthintelligence.com/pt-br/ The leading source for hospital data and market intelligence across Latin America and Asia. Wed, 14 Jan 2026 15:32:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://globalhealthintelligence.com/wp-content/uploads/2025/11/cropped-Profile-32x32.png Guillaume Corpart – Global Health Intelligence – Healthcare Market Insights for Emerging Markets https://globalhealthintelligence.com/pt-br/ 32 32 Sinais vitais e reconfigurações geopolíticas: como as estratégias dos EUA na América Latina redefinirão o mercado de equipamentos médicos https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/sinais-vitais-e-reconfiguracoes-geopoliticas-como-as-estrategias-dos-eua-na-america-latina-redefinirao-o-mercado-de-equipamentos-medicos/ Wed, 14 Jan 2026 15:06:44 +0000 https://globalhealthintelligence.com/analise-de-ghi-pt-br/sinais-vitais-e-reconfiguracoes-geopoliticas-como-as-estrategias-dos-eua-na-america-latina-redefinirao-o-mercado-de-equipamentos-medicos/ Guillaume Corpart

A América Latina atravessa atualmente um profundo realinhamento geopolítico. Historicamente marcada por intervenções externas – primeiro europeias e, posteriormente, norte-americanas sob a égide da Doutrina Monroe –, a região volta a se consolidar como um palco central da competição entre grandes potências. Esse movimento vai muito além do discurso, materializando-se em uma retomada assertiva da atuação dos Estados Unidos na região com o objetivo de conter influências externas e reafirmar sua hegemonia no hemisfério.

Essa agressiva reviravolta geopolítica traz implicações profundas e generalizadas para os setores comerciais. Poucos segmentos, no entanto, são tão sensíveis a esse tipo de mudança – ou tão estratégicos para a estabilidade nacional – quanto o mercado de equipamentos e dispositivos médicos. À medida que Washington intensifica sua pressão econômica e militar sobre a região, o mercado de equipamentos e dispositivos médicos caminha para enfrentar sua mais relevante disrupção desde o início da pandemia de Covid-19.

A guinada do poder coercitivo: Washington volta a exercer controle

Durante anos, ganhou força a percepção de declínio da influência dos Estados Unidos na América Latina, atribuída a uma postura de negligência que abriu espaço para a atuação de outros atores globais. Esse período agora dá claros sinais de ter chegado ao fim. Washington passou a adotar uma estratégia ancorada no uso do poder e da diplomacia coercitivos com o intuito de assegurar o alinhamento regional aos interesses dos Estados Unidos.

A expressão mais contundente dessa nova realidade foi a recente operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A ação provocou um choque imediato em todas as capitais do Hemisfério Ocidental e deixou claro que os Estados Unidos estão dispostos a recorrer à intervenção direta para alcançar seus objetivos estratégicos.

Em uma escala menos dramática, os EUA continuam buscando impor sua agenda regional por outros meios. Advertências pouco veladas dirigidas a importantes atores da região, como México e Colômbia, em temas como conformidade comercial, controle migratório e política antidrogas, reforçaram a mensagem central: o alinhamento com Washington já não é mais opção.

É inevitável que essas ações gerem tensões profundas nas relações comerciais entre os países. Quando a diplomacia passa a ser conduzida sob a ótica da segurança nacional e da capacidade militar, as relações comerciais tradicionais tornam-se instáveis e imprevisíveis. As preocupações em torno da soberania se intensificam, e os países passam a encarar com cautela o uso de instrumentos econômicos como ferramentas de pressão política. O efeito imediato dessa postura é a criação de um ambiente de incerteza, que obriga os governos latino-americanos a reavaliar seus riscos de política externa, suas prioridades econômicas e suas alianças estratégicas.

O contexto: o dragão na sala de cirurgia

Para compreender o impacto desse ressurgimento dos Estados Unidos sobre o mercado médico, é necessário, antes, entender o status quo atual. Ao longo da última década – e de forma especialmente acelerada durante a pandemia de Covid-19 –, a China consolidou-se como a principal fornecedora de dispositivos e equipamentos médicos para a América Latina.

Quando a pandemia eclodiu e países ocidentais passaram a reter ventiladores, EPIs e instrumentos diagnósticos, Pequim interveio por meio da chamada “diplomacia das máscaras”. Mesmo diante de limitações produtivas, restrições comerciais e obstáculos logísticos, fabricantes chineses conseguiram oferecer acesso rápido e a custos competitivos a equipamentos médicos em um momento em que poucos outros países tinham capacidade – ou disposição – para fazê-lo.

Como consequência, produtos chineses – de equipamentos avançados de diagnóstico por imagem em hospitais brasileiros a insumos básicos em clínicas peruanas – tornaram-se onipresentes em toda a América Latina. Esse predomínio não se sustentou apenas no preço, mas sobretudo na disponibilidade e na ausência de alternativas viáveis durante uma emergência global. Nos anos seguintes, essa dinâmica se consolidou, com as importações chinesas de produtos médicos frequentemente superando as de origem norte-americana em diversos mercados da região.

Os produtos médicos chineses, que representavam 25% das importações da América Latina em 2018, aumentaram sua fatia para 34% em 2024. No mesmo período, a participação dos Estados Unidos nas importações regionais recuou de 38% para 28%. Essa tendência foi particularmente evidente em países como Brasil, Colômbia e Chile, onde produtos chineses já respondem por mais de 50% de todos os dispositivos médicos importados.

O choque de curto prazo: um realinhamento forçado

A nova postura assertiva dos Estados Unidos tende a desestabilizar quase de imediato esse cenário hoje dominado pela China. No curto prazo, é razoável esperar que Washington explore suas vitórias políticas – como a neutralização do regime de Maduro – e as campanhas de pressão exercidas sobre México e Colômbia para impor uma guinada comercial na região.

Ao longo dos próximos 24 meses, é provável que se inicie a reabertura de um mercado de saúde há muito tempo paralisado na Venezuela. Curiosamente, a apropriação dos ativos petrolíferos venezuelanos e a queda do regime de Maduro também exerceram pressão imediata sobre o já frágil sistema cubano, o que torna plausível que Cuba seja o próximo mercado a se abrir aos investimentos externos.

Os sistemas de saúde de Venezuela e Cuba precisarão ser amplamente redesenhados. O foco inicial será a ampliação do acesso à atenção primária, enquanto os investimentos em hospitais especializados tendem a ocorrer em um segundo momento. Oportunidades imediatas surgirão em praticamente todos os segmentos do sistema de saúde – da reconstrução da infraestrutura hospitalar a soluções de tecnologia, equipamentos, dispositivos médicos, insumos e produtos farmacêuticos. Modelos de infraestrutura, distribuição, manutenção e financiamento precisarão ser reavaliados e, em muitos casos, reconstruídos do zero.

Nos mercados já estabelecidos, é plausível esperar exigências explícitas, ou orientações formuladas em termos contundentes, para que ministérios da Saúde latino-americanos passem a priorizar parcerias com empresas dos Estados Unidos, em detrimento de alternativas como os atuais acordos comerciais com a China. Esse direcionamento pode ser viabilizado por meio de acordos de livre comércio, tarifas, mecanismos de financiamento ou mesmo condicionado a concessões comerciais mais amplas. Países que não querem ser o próximo alvo de pressões norte-americanas ou que buscam se beneficiar de uma relação mais estreita com um Washington em retomada de protagonismo provavelmente se alinharão rapidamente a essa dinâmica.

Apesar do entusiasmo em torno da abertura de novos mercados e das oportunidades comerciais potenciais, é prudente reconhecer o alto grau de incerteza que permeia o contexto atual. Embora o mercado possa recompensar ações rápidas, a volatilidade desse cenário pode transformar decisões precipitadas em iniciativas de elevado custo. Recomenda-se, portanto, muita cautela.

Implicações de longo prazo: fragmentação e ressentimento

Embora essas novas intervenções nos mercados latino-americanos possam oferecer aos Estados Unidos ganhos de mercado no curto prazo, as implicações de longo prazo são consideravelmente mais nuançadas e complexas. Em uma região onde cerca de 70% da assistência médica é prestada pelo setor público e os orçamentos são restritos, fatores determinantes de mercado (como o preço) dificilmente deixam de pesar nas decisões. É improvável que os países latino-americanos abandonem por completo os vínculos comerciais com a China, mesmo sofrendo pressão dos Estados Unidos.

Embora produtos norte-americanos possam recuperar parte do espaço perdido, é pouco realista supor que fabricantes chineses sejam efetivamente excluídos desse mercado. Em vez de priorizar produtos norte-americanos por seus benefícios tecnológicos ou comerciais, os países provavelmente adotarão uma postura de balanceamento estratégico, adquirindo equipamentos norte-americanos de alta tecnologia para atender às expectativas de Washington, enquanto mantêm, de forma discreta, o abastecimento de insumos e tecnologias de médio porte junto à China, como forma de preservar a viabilidade orçamentária.

Além disso, abordagens excessivamente impositivas tendem a gerar ressentimento. Ainda que países latino-americanos possam ceder temporariamente à pressão dos Estados Unidos, no longo prazo a tendência é que busquem recuperar maior autonomia estratégica.

A China, por sua vez, também tende a se adaptar. Em vez de limitar sua atuação à exportação de produtos, Pequim pode aprofundar sua estratégia por meio da localização da produção na América Latina, contornando barreiras comerciais e se integrando de forma mais profunda à economia regional através de transferências de tecnologia – um campo no qual os Estados Unidos, historicamente, têm se mostrado mais reticentes.

Desafios e ajustes em uma nova ordem mundial

A captura de Nicolás Maduro e a pressão exercida sobre aliados estratégicos sinalizam um ponto de inflexão definitivo nas relações entre os Estados Unidos e a América Latina. A era da competição passiva chegou ao fim. Em última análise, as mudanças no equilíbrio de poder na região não se limitam a manobras políticas; trata-se de abalos econômicos com implicações profundas para o comércio cotidiano.

O mercado de equipamentos e dispositivos médicos funciona como um microcosmo eloquente dessa disputa mais ampla, caracterizada por uma interseção direta entre ambições geopolíticas e necessidades de saúde pública e interesses comerciais. Não há dúvida de que os próximos anos serão marcados por um delicado equilíbrio entre diplomacia, incentivos econômicos e parcerias estratégicas, com os países latino-americanos buscando se posicionar em um mundo cada vez mais moldado pelas ambições concorrentes das grandes potências globais.

Próximos passos

Posicione sua marca para as profundas mudanças que vêm se desenhando na América Latina. À medida que Washington reafirma sua predominância na região, os setores de dispositivos médicos e farmacêutico enfrentam sua mais significativa disrupção dos últimos anos. Antecipe tendências emergentes e compreenda os riscos de acesso a mercados com as pesquisas especializadas da GHI. Entre em contato conosco hoje mesmo para saber como nossos dados podem ajudar a sua empresa a se manter à frente da concorrência.

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O futuro cirúrgico da América Latina: quais são as áreas em que os hospitais investirão daqui para a frente https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/o-futuro-cirurgico-da-america-latina-quais-sao-as-areas-em-que-os-hospitais-investirao-daqui-para-a-frente/ Tue, 25 Nov 2025 15:22:25 +0000 https://globalhealthintelligence.com/analises-da-ghi/o-futuro-cirurgico-da-america-latina-quais-sao-as-areas-em-que-os-hospitais-investirao-daqui-para-a-frente/ Uma percepção comum acerca dos hospitais e centros médicos da América Latina diz respeito a seu atraso em relação aos centros dos Estados Unidos e da Europa no que tange à adoção de novas tecnologias. Nos últimos anos, porém, observam-se movimentos que questionam essa tendência.

Vários países da região começaram a adotar dispositivos e equipamentos cirúrgicos mais avançados. Verifica-se, em particular, expressivo crescimento dos equipamentos minimamente invasivos usados em endoscopias, laparoscopias ou procedimentos assistidos por robô. Apresentamos abaixo uma análise mais detalhada dos números.

Endoscopia

Uma tecnologia médica que tem exibido crescimento significativo e que deve crescer ainda mais nos próximos anos é a endoscopia. O endoscópio é um tubo comprido e flexível que pode ser introduzido no corpo para examinar órgãos internos com uma luz e uma câmera. Em muitos casos, instrumentos cirúrgicos podem ser inseridos através de um canal no endoscópio para remover tecidos ou executar outros procedimentos cirúrgicos.

Costuma-se pensar nos endoscópios como instrumentos destinados a procedimentos digestivos, com sua introdução sendo realizada pela boca ou pelo ânus, mas há também outras modalidades de endoscopia, como a artroscopia, a cistoscopia e a histeroscopia, entre outras.

Nos últimos anos, observa-se um crescimento consistente nos procedimentos endoscópicos na América Latina, com a expansão dos endoscópios superando a de outros equipamentos cirúrgicos. Em 2013, por exemplo, a “base instalada” de equipamentos cresceu, em termos gerais, apenas 4,7% na região, porém o número de endoscópios se expandiu a uma taxa de 10,2%, com as torres de endoscopia apresentando crescimento de 13,7%.


  • Faturamento do mercado latino-americano de dispositivos endoscópicos em 2025: US$ 2,2 bilhões
  • Projeção de faturamento do mercado até 2030: US$ 3,1 bilhões
  • Projeção da taxa de crescimento anual composta (CAGR): 7,14%

A expansão do mercado de endoscopia é consistente em toda a região, mas os principais mercados, como Argentina, México e Brasil apresentam crescimento particularmente sólido, com CAGRs projetadas de 13,6%, 10,1% e 9,7%, respectivamente.

Laparoscopia

A laparoscopia é uma modalidade de endoscopia, sendo utilizada especificamente para examinar e tratar os órgãos do abdome e do sistema reprodutivo através de uma incisão no abdome. Como outros equipamentos endoscópicos, porém, os dispositivos laparoscópicos registraram crescimento expressivo na América Latina nos últimos anos – e tudo indica que essa expansão continuará a acontecer em ritmo vigoroso.


  • Faturamento do mercado latino-americano de dispositivos laparoscópicos em 2023: US$ 2,35 bilhões
  • Projeção de faturamento do mercado até 2033: US$ 4,61 bilhões
  • Projeção da taxa de crescimento anual composta (CAGR): 7,79%

Como se observa em relação aos equipamentos endoscópicos em geral, os dispositivos laparoscópicos registram crescimento em toda a região, mas a expansão é particularmente sólida em países como Brasil e México, onde a taxa de crescimento em 2023 chegou a 12,9% e 9,2%, respectivamente. No Chile, o mercado de equipamentos laparoscópicos também mostrou crescimento significativo, com aumento de 12% em 2023, ao passo que na Argentina e Colômbia a expansão foi um pouco menos acelerada, com aumentos de 5% e 4,9%, respectivamente.

Robôs cirúrgicos

O mercado de cirurgias assistidas por robô vem se expandindo no mundo inteiro e, embora o volume de procedimentos dessa natureza na América Latina ainda seja modesto, seu crescimento é significativo, o mesmo acontecendo com a expansão projetada para os próximos anos.


  • Faturamento do mercado latino-americano de robôs cirúrgicos em 2024: US$ 246,6 milhões
  • Projeção de faturamento do mercado até 2033: US$ 573,2 milhões
  • Projeção da taxa de crescimento anual composta (CAGR): 9,8%

Neste segmento, a demanda no Brasil e no México também se mantém à frente da observada no restante da região, mas a expansão é generalizada em toda a América Latina e o faturamento deve continuar a crescer ao longo da próxima década.

O que impulsiona o aumento da demanda?

Como indicam esses números, a América Latina está pronta para investir mais recursos na atualização de sua tecnologia médica e pretende modernizar suas instalações hospitalares com equipamentos e dispositivos de última geração. O que teria motivado essa transformação na região? A resposta é multifacetada, mas uma hipótese é que a pandemia de Covid-19 pôs em evidência muitas das carências do sistema de saúde da região. De lá para cá, gestores e pacientes estão em busca de tratamentos de melhor qualidade, e isso exige tecnologia mais avançada.

Obviamente, há também outros fatores em jogo. Por estarem mais bem informados sobre os procedimentos médicos menos invasivos que podem ser realizados atualmente com o uso de dispositivos endoscópicos, laparoscópicos e robóticos, os pacientes exigem a adoção dessas tecnologias em seus tratamentos. Além disso, problemas crônicos de saúde, como obesidade, doenças cardíacas e diabetes, também vêm se tornando mais prevalentes, o que exige um maior volume de diagnósticos e procedimentos a serem realizados com esses aparelhos.

As atualizações com equipamentos de ponta geram benefícios para os estabelecimentos hospitalares e para os pacientes. Procedimentos menos invasivos, como endoscopia, laparoscopia e cirurgia assistida por robô, têm melhores resultados e permitem internações de menor duração. Isso gera taxas maiores de satisfação entre os pacientes e possibilita que os hospitais atendam um número maior de pacientes em períodos mais curtos de tempo.

Obstáculos à adoção

Como acontece com todas as mudanças tecnológicas, a atualização dos estabelecimentos hospitalares implica certos desafios. Os novos equipamentos têm preços elevados, e são poucos os hospitais públicos que dispõem dos recursos necessários para implantar projetos de modernização abrangentes. Assim, o crescimento no número de dispositivos e equipamentos, em particular no caso de robôs cirúrgicos, é mais acelerado nos hospitais privados do que nos públicos. Não obstante, no caso de muitos procedimentos, dispositivos como os endoscópios e os laparoscópios são cada vez mais considerados padrão de tratamento, o que pressiona os sistemas públicos de saúde a se atualizar, independentemente dos custos envolvidos.

Outros obstáculos incluem o treinamento ou a contratação de profissionais de saúde para operar esses novos dispositivos e equipamentos, o que pode tornar os custos e os desafios muito maiores do que a simples aquisição dos aparelhos. No entanto, a maior parte dos hospitais relata benefícios de longo prazo em termos de eficiência, resultados e satisfação dos pacientes ao realizar esses investimentos iniciais.

Principais conclusões para as empresas do setor de saúde

Se a sua empresa atua no mercado de dispositivos e equipamentos cirúrgicos, os números acima indicam com clareza que os próximos anos devem ser palco de forte crescimento em toda a América Latina, particularmente nos segmentos de endoscópios, laparoscópios e robôs cirúrgicos. O momento de ajustar a sua estratégia de vendas é agora, não apenas no caso dos hospitais privados, mas também em relação aos sistemas públicos de saúde que estão tentando se atualizar para atender as demandas dos pacientes.

Conte com a GHI e seu portfólio de soluções de dados, como o HospiScope e o SurgiScope, para analisar os estoques hospitalares e concentrar a estratégia da sua empresa nos pontos onde estão as maiores necessidades. Não há a menor dúvida de que esse mercado continuará a crescer — portanto é hora de concluir e implementar a sua estratégia de vendas para 2026 e para os próximos anos.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências cirúrgicas e seu potencial impacto sobre os mercados de dispositivos e equipamentos médicos na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Fontes:

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O futuro dos biofármacos na América Latina: expansão dos ensaios clínicos e aumento da produção https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/o-futuro-dos-biofarmacos-na-america-latina-expansao-dos-ensaios-clinicos-e-aumento-da-producao/ Sun, 26 Oct 2025 21:40:59 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/o-futuro-dos-biofarmacos-na-america-latina-expansao-dos-ensaios-clinicos-e-aumento-da-producao/ Guillaume Corpart

Embora não sejam uma tecnologia médica nova, os biofármacos, também conhecidos como medicamentos biológicos, avançaram significativamente nos últimos anos e seguem ampliando seu potencial no tratamento de doenças como câncer e diabetes, entre outras. Diferentemente dos medicamentos tradicionais, que são produzidos por meios químicos e compõem-se de pequenas moléculas, os biofármacos são desenvolvidos a partir de células vivas, proteínas, tecidos ou ácidos nucleicos. Em geral, compõem-se de moléculas maiores que os fármacos tradicionais e com frequência são ministrados através de injeções.

Biofármacos em detalhe

Os biofármacos ganharam destaque há alguns anos com o rápido desenvolvimento da vacina contra a Covid-19, mas esse não é o único tipo de medicamento biológico de uso generalizado atualmente. Os diferentes tipos de biofármacos incluem:

  • Um dos primeiros fármacos biológicos a serem desenvolvidos, as vacinas têm contribuído para a erradicação de doenças no mundo inteiro, como varíola e sarampo, entre outras.
  • Anticorpos monoclonais (AcMs). Esses fármacos imitam o sistema imunológico e atuam sobre proteínas específicas para bloquear sua atividade ou destruí-las. São usados no tratamento de doenças autoimunes e alguns tipos de câncer.
  • Terapias genéticas. Trata-se de medicamentos capazes de curar ou tratar doenças genéticas ou infecciosas por meio da introdução de material genético nas células do paciente. Têm sido usados no tratamento de doenças da retina e atrofia muscular espinhal, entre outras.
  • Terapias celulares. Essas terapias incluem os transplantes de células-tronco e envolvem a modificação de células para melhorar ou restaurar sua função. Podem ser usadas no tratamento de leucemia, linfoma e outros transtornos degenerativos.
  • Proteínas recombinantes. Essas proteínas são produzidas em células vivas e incluem enzimas, hormônios e citocinas usados no tratamento de doenças como hemofilia e diabetes, entre outras.

Panorama das vacinas na América Latina

No passado, a América Latina sofria com grande dependência de outras regiões para o fornecimento de vacinas e outros biofármacos. A situação se complicou com a pandemia de Covid-19, quando apenas 15% das vacinas tinham produção local, levando alguns países, como Guatemala, Venezuela e Honduras, a registrar taxas de vacinação inferiores a 25% em outubro de 2021.

Felizmente, a região encarou a experiência como um momento de aprendizado e vem adotando medidas importantes para relaxar exigências regulatórias e incentivar a produção de vacinas e outros fármacos. Em setembro de 2021, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aprovou o Programa Especial, Plataforma Regional de Inovação e Produção, que tem como objetivo ampliar a capacidade de produção de medicamentos e tecnologias médicas essenciais em toda a América Latina. O Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (PROSUL) é outra entidade que vem incentivando a implementação de iniciativas similares.

Esses esforços já começam a dar frutos na região. Em julho de 2024, por exemplo, o laboratório brasileiro Bio-Manguinhos/Fiocruz passou a integrar a rede de fabricantes de vacinas da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) para ajudar a desenvolver respostas mais rápidas e equitativas a futuras ameaças infecciosas. O movimento parece ter dimensões regionais e a expectativa é que o mercado de vacinas em países como México, Colômbia e Chile, entre outros, apresente crescimento nos próximos anos. O quadro abaixo oferece uma visão mais detalhada da situação.

Crescimento dos mercados de vacinas na América Latina, por país

Relaxamento de exigências regulatórias relativas a outros biofármacos

Além das vacinas, as agências reguladoras latino-americanas vêm adotando iniciativas para acelerar e tornar mais eficiente o processo de aprovação de biofármacos, o que deve gerar um ambiente mais favorável para as empresas que pretendem lançar medicamentos nesses mercados.

No Brasil, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) adotou em 21 de janeiro deste ano uma nova resolução que simplifica o processo de introdução de produtos biológicos, incluindo vacinas, radiofármacos e medicamentos genéricos. A resolução também facilita a tramitação de correções, novas indicações, retiradas e outros processos relacionados com produtos farmacêuticos. Para poder recorrer a esse processo simplificado, as empresas devem ter ao menos um outro medicamento ou produto biológico já aprovado no mercado brasileiro.

Outros países latino-americanos, como República Dominicana e Colômbia, anunciaram iniciativas similares nos últimos meses. Em julho de 2024, a Argentina anunciou diversas medidas para relaxar normas que restringiam a atividade no segmento, incluindo a autorização para a comercialização de mais medicamentos genéricos, a redução de barreiras à abertura de novas farmácias e a permissão para que medicamentos que não exigem receita médica sejam vendidos em outros estabelecimentos, além de drogarias.

Por sua vez, o México adotou medidas para incentivar a realização de pesquisas clínicas e ampliar o acesso a medicamentos genéricos e biossimilares. É importante observar que as iniciativas mexicanas não têm uma dimensão estritamente local, visando também a oferta desses medicamentos em mercados como o dos Estados Unidos. Isso indica que os laboratórios farmacêuticos poderão contar nos próximos anos com mercados mais favoráveis e abertos a medicamentos novos ou versões genéricas.

Ampliação da produção

Como assinalam essas mudanças regulatórias, a América Latina está extremamente comprometida com o desenvolvimento do mercado de biofármacos, e as iniciativas adotadas começam a render frutos. O Centro para o Desenvolvimento Global observa que muitos países de renda média, incluindo o Brasil, já se tornaram atores fundamentais no fornecimento mundial de vacinas. Conforme a produção na região continue a aumentar, é possível que mais países também venham a se tornar atores importantes no mercado global de vacinas.

Outro fator a ser considerado na ampliação da produção de biofármacos na América Latina é o papel dos biossimilares e dos medicamentos genéricos. Com a elevação dos preços dos medicamentos especiais, o acesso a alternativas genéricas mais baratas tornou-se fundamental para muitas pessoas que necessitam desses fármacos na região. O relaxamento de restrições regulatórias em países como Brasil, Argentina e Colômbia, entre outros, garantiu maior agilidade para o lançamento de medicamentos genéricos no mercado.

Além disso, com a expansão do mercado desses fármacos na América Latina, ampliou-se o número de profissionais competentes em busca de trabalho no segmento. Muitos estudantes atualmente optam pela carreira em biotecnologia, gerando um influxo de cientistas e outros profissionais capacitados, impulsionando ainda mais as inovações na área.

O quadro abaixo oferece uma visão mais detalhada do crescimento do setor biofarmacêutico na América Latina:

O setor biofarmacêutico latino-americano em números

Ensaios clínicos na América Latina

Uma consequência do crescimento do setor de biofármacos na América Latina é a proliferação de ensaios clínicos na região. Atualmente, a América Latina é o quarto maior mercado do mundo para ensaios clínicos e busca quadruplicar a participação nos próximos anos. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru concentram cerca de 70% dos ensaios clínicos realizados na região.

Os especialistas citam a diversidade da população de pacientes, os custos operacionais mais baixos e o aprimoramento do marco regulatório como motivos que levaram à expansão substancial dos ensaios clínicos na região. Esse desenvolvimento tem contribuído para ampliar ainda mais o papel crescente da América Latina como polo de inovação no segmento de biofármacos.

Principais conclusões para as empresas do setor de saúde

Com o relaxamento das restrições e as medidas adotadas para ampliar a produção e os ensaios clínicos em toda a América Latina, os laboratórios farmacêuticos estão bem posicionados para aproveitar, nos meses e anos que vêm pela frente, essas mudanças no mercado e no contexto regulatório.

Se a sua empresa é uma grande multinacional farmacêutica, com presença significativa nos mercados da região, tudo indica que o seu crescimento terá continuidade, graças aos processos mais eficientes que muitos países estão implementando na análise, aprovação e introdução de medicamentos no mercado. Para esses grandes laboratórios, os próximos anos podem apresentar um desafio interessante, com o acirramento da concorrência devido ao ingresso no mercado de laboratórios farmacêuticos menores, focados na produção de medicamentos genéricos e biossimilares. Para se manter na liderança do setor biofarmacêutico, as empresas de maior porte devem continuar apostando na agilidade de suas operações e na busca constante de inovações.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências do mercado de saúde e seu potencial impacto sobre o segmento de biofármacos na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores está pronta para elaborar as análises de que a sua empresa necessita para ter em mãos insights valiosos e fundamentar a tomada de decisões estratégicas no setor.

Fontes:

 

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Estratégias para sobreviver ao clima de incerteza gerado pela imposição de tarifas https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/estrategias-para-sobreviver-ao-clima-de-incerteza-gerado-pela-imposicao-de-tarifas/ Tue, 23 Sep 2025 20:34:41 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/estrategias-para-sobreviver-ao-clima-de-incerteza-gerado-pela-imposicao-de-tarifas/ Guillaume Corpart

As tarifas são o assunto do momento há vários dias, principalmente para quem lida com relações comerciais internacionais e com a realidade diária da venda de dispositivos, equipamentos e suprimentos médicos em diferentes países. A incerteza econômica se transforma rapidamente em insegurança, impondo mais desafios para as áreas de vendas e previsões. Com os EUA promovendo constantes mudanças nas tarifas de importação, esse foi o clima dos últimos meses.

A era das tarifas

Notícias sobre tarifas são constantes desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025. Uma das primeiras grandes mudanças foi o estabelecimento de uma tarifa universal básica de 10% para todos os países, que entrou em vigor em 5 de abril. Países como México, Canadá, China e outros, no entanto, foram atingidos com tarifas ainda mais altas. Também houve a implementação de tarifas sobre produtos específicos, como petróleo, aço, minérios e muitos outros. Entre os fatores que influenciaram a definição das alíquotas estão a percepção de um equilíbrio comercial desfavorável para os Estados Unidos, promessas de mais investimentos e negociações individuais com a Casa Branca.

Um dos efeitos resultantes disso é o chamado “ioiô tarifário”. Praticamente todos os dias os jornais estampam manchetes sobre tarifas, e as alíquotas aplicadas a diferentes países, bens e serviços parecem mudar constantemente. Também não se sabe ao certo quais tarifas foram implementadas e quais ficaram apenas no campo da ameaça. Esse cenário impede que fabricantes e fornecedores de equipamentos saibam quais tarifas serão aplicadas aos seus produtos, em que momento e em quais países.

Efeitos econômicos recíprocos

Além disso tudo, existe o impacto das “tarifas recíprocas”, que alguns países, inclusive a China, impuseram sobre as importações americanas em resposta às medidas tarifárias adotadas pelos EUA. Isso significa que os fabricantes precisam se preocupar com as tarifas instituídas não só pelos EUA, mas por países do mundo inteiro, o que complica ainda mais a situação. É interessante notar que o uso maciço de tarifas no comércio internacional por Donald Trump também pode causar um impacto secundário ao incentivar outros países a adotar a mesma postura.

Um exemplo recente é a tensão comercial entre a União Europeia e a China em relação a dispositivos médicos. Os problemas começaram em junho, quando a Comissão Europeia anunciou que empresas chinesas não poderiam mais participar de licitações públicas na UE para a aquisição de dispositivos médicos com valor superior a US$ 5,8 milhões. Em julho, a China contra-atacou com uma regulamentação parecida direcionada ao bloco europeu. Agora, o governo chinês está proibido de comprar dispositivos médicos da União Europeia que valham mais de 45 milhões de yuans (US$ 6,3 milhões).

As tensões comerciais globais viraram algo muito maior do que uma simples questão de importação limitada aos Estados Unidos. Agora elas são um fator que as empresas devem levar em consideração ao definir preços e estratégias de vendas, não importa o país para o qual exportam ou do qual importam seus produtos.

Como a instabilidade comercial impacta o mercado médico

Muito embora tenham seus defensores políticos, é certo que as tarifas deixam o mercado internacional mais desafiador para todos os participantes. Preços e tarifas estáveis permitem que as empresas se planejem. Elas podem preparar suas estratégias de vendas, estabelecer uma visão para o futuro e criar um plano de crescimento contínuo. Fica mais difícil fazer previsões quando as empresas não sabem como definir os preços de seus produtos em diferentes mercados no dia a dia.

Para o mercado de dispositivos médicos, alguns desafios impostos pelas tarifas são ainda mais complexos e graves. Muitos dispositivos médicos são máquinas grandes e caras, de modo que o impacto das tarifas pode ser enorme para itens que já são muito caros. Além disso, geralmente os aparelhos são montados com materiais provenientes de diferentes partes do mundo, e cada um desses componentes pode já ter sido atingido por tarifas em sua origem. Assim, além da venda, a fabricação desses itens fica cada vez mais complexa e cara.

Por fim, é claro, existe a questão da natureza essencial de muitas dessas máquinas. Embora carros e outros equipamentos caros e complexos sejam inquestionavelmente importantes para manter a economia em marcha, a vida das pessoas depende de equipamentos, dispositivos e produtos farmacêuticos e médicos. A falta deles pode custar muito caro para a região. Isso é especialmente preocupante em uma região como a América Latina, onde 90% dos dispositivos e equipamentos médicos são importados de outros países.

Como a GHI pode ajudar no planejamento de sua estratégia de vendas

Apesar do contínuo desafio global imposto pelas tarifas, a realidade é que o comércio internacional continuará funcionando, principalmente em um mercado de venda de produtos médicos no qual equipamentos e dispositivos são essenciais para o bem-estar da população. Vão se sobressair as empresas com dados de mercado mais atualizados sobre os dispositivos que estão sendo vendidos, os mercados que estão comprando e os preços praticados. Em tempos de incerteza, é inviável operar com os olhos vendados. Sua empresa precisa de inteligência real e acionável para orientar suas decisões à medida que avança.

Uma boa ferramenta para ajudar empresas médicas a tomar decisões fundamentadas é o BrandTrack, da GHI. Ela fornece dados em tempo real sobre quais dispositivos estão sendo vendidos e os mercados que os estão comprando e quem está importando mais ou menos produtos específicos. É como receber informações sobre o impacto das tarifas no mercado em tempo real.

“Com a assinatura do BrandTrack, a empresa pode monitorar a importação de seus dispositivos em vários países para ver onde eles estão e, então, comparar isso com sua abordagem internamente”, diz Mariana Romero Roy, diretora sênior de serviços de inteligência da Global Health Intelligence. “Também é possível ver dados da concorrência no mercado e, com isso, definir suas estratégias de marketing.”

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre o impacto das tarifas no setor de saúde da América Latina e como lidar com seus desafios. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Tensão comercial entre UE e China: implicações para fabricantes de dispositivos médicos americanos https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/tensao-comercial-entre-ue-e-china-implicacoes-para-fabricantes-de-dispositivos-medicos-americanos/ Sun, 24 Aug 2025 06:29:23 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/tensao-comercial-entre-ue-e-china-implicacoes-para-fabricantes-de-dispositivos-medicos-americanos/ Guillaume Corpart

Entre as inquietações atuais do comércio global, a implementação de tarifas de importação pelos Estados Unidos e pelo presidente Trump tem sido manchete constante. Ainda que os números pareçam estar em fluxo constante, a atual tarifa sobre produtos chineses chegou a 55%, uma das mais altas do mundo. Os produtos europeus que entram nos EUA são taxados atualmente em 10%, com variações por produto e país.

Aumento da tensão entre China e UE

Embora não tenha atraído tanta atenção da imprensa quanto as tarifas americanas, uma tensão menor, mas também importante, acontece entre o governo chinês e a União Europeia. Essa disputa específica pode ter ramificações ainda mais significativas para os fabricantes de dispositivos médicos.

Os problemas começaram em junho de 2025, quando a Comissão Europeia anunciou que empresas chinesas não poderiam mais participar de licitações públicas de dispositivos médicos na UE com valor a partir de US$ 5,8 milhões. A decisão foi motivada pelo argumento de que as empresas europeias de dispositivos médicos não recebiam acesso justo aos mercados chineses.

No entanto, em vez de incentivar a China a abrir seus mercados para mais empresas europeias, a decisão teve o efeito oposto. Em julho de 2025, os chineses praticamente retaliaram a UE com regulamentação semelhante. Agora, o governo chinês está proibido de comprar dispositivos médicos da União Europeia que valham mais de 45 milhões de yuans (US$ 6,3 milhões).

As consequências

O interessante é que esse embate acontece em um momento em que seria vantajosa a união entre UE e China, considerando a crescente tensão com os Estados Unidos. Em vez disso, as tarifas parecem ter o efeito oposto, pois incentivam um comportamento comercial semelhante em outros lugares do mundo.

O impasse entre China e UE ainda é recente, mas as tensões parecem estar escalando. Até agora, palavras duras foram as armas usadas por ambos os lados da guerra comercial, e há poucos sinais de mudança nas políticas para os próximos meses. A China também subiu o tom com a Europa de outras formas, como a imposição de taxas antidumping sobre o brandy europeu e a ameaça de taxação da carne de porco e laticínios.

O que isso significa para fabricantes de dispositivos

O acirramento dessa guerra comercial tem implicações bem aparentes para as empresas de dispositivos médicos que fazem negócios e participam de licitações na China e na UE. As empresas europeias que negociam na China, e vice-versa, certamente perderão vendas em potencial, já que estão praticamente impedidas de vender seus caros dispositivos nesses mercados.

A história é diferente, porém, para empresas de fora da UE que fazem negócio na China, ou para empresas de fora da China que participam de licitações na UE. Para essas organizações, podem existir novas oportunidades nesses mercados, principalmente para fabricantes de dispositivos que competem com aqueles produzidos por empresas europeias e chinesas.

O que esperar do futuro?

Existe, entretanto, a possibilidade de que estejamos assistindo apenas ao ataque inicial de uma guerra comercial global envolvendo os dispositivos médicos. Por isso, as empresas devem acompanhar com atenção o desenrolar das ações nos próximos meses. Não é segredo nenhum que outros mercados além da UE, incluindo a América Latina, receiam o impacto da China sobre seus mercados, especialmente sobre a capacidade de produzir versões mais baratas de dispositivos médicos e superar preços para vencer licitações. Considerando que a América Latina importa quase 90% de seus equipamentos e dispositivos médicos, qualquer movimentação parecida pelos governos latino-americanos poderia causar enorme impacto nos mercados regionais.

O potencial impacto futuro desse conflito comercial é ainda mais evidente para os fabricantes de dispositivos médicos dos EUA que exportam seus produtos para o resto do mundo. Na atual situação, a maioria dos países tem motivos para retribuir a tarifação de alguma forma, seja via taxação recíproca de importações dos EUA ou a adoção de outras medidas. Se o banimento de fabricantes de dispositivos médicos em licitações de outros países deixar de ser uma anomalia e se tornar tendência, os Estados Unidos poderão virar alvo em razão da reciprocidade tarifária.

Principais conclusões para empresas médicas

Embora muito do que se discute aqui seja, até o momento, simples especulação, é importante acompanhar a escalada da tensão entre UE e China e o impasse resultante para os fabricantes de dispositivos médicos nas duas regiões, mesmo que sua empresa ou a região onde você trabalha não sejam diretamente afetadas.

Como sempre, você pode se preparar para navegar com sucesso pelas águas turbulentas desse mercado global confiando na GHI e em suas ferramentas e serviços para refinar suas vendas no mercado da América Latina. Com o BrandTrack, por exemplo, você pode ver quais regiões estão importando mais ou menos produtos específicos e ajustar sua estratégia de forma mais assertiva. Ainda que as tensões aumentem e os preços flutuem, a necessidade de dispositivos médicos valiosos se manterá constante. Por isso, a chave é identificar onde a necessidade é maior e estar pronto para oferecer seus produtos e serviços nesses lugares.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as últimas tensões comerciais e seu potencial impacto no setor de saúde da América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Planejamento ágil para contornar as incertezas do mercado https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/planejamento-agil-para-contornar-as-incertezas-do-mercado/ Wed, 23 Jul 2025 08:23:05 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/planejamento-agil-para-contornar-as-incertezas-do-mercado/ Guillaume Corpart

Há poucos anos, as empresas de suprimentos e equipamentos médicos enfrentavam a Covid-19 e problemas de cadeia de suprimento decorrentes da epidemia. Hoje, elas travam batalhas comerciais que estão alcançando níveis mundiais. Pode-se dizer que as incertezas do mercado não são novidade para o setor. Aliás, não é exagero falar que os últimos anos provaram que a única certeza nessa área de negócio é a incerteza.

Evidentemente, a mais recente incerteza, que vem preocupando muita gente, é a crescente ameaça de aumento de tarifas pelos Estados Unidos. A proposta atual é uma tarifa básica de 10% sobre os produtos exportados pela maioria dos países para os Estados Unidos. Alguns países, como México, Venezuela, Nicarágua e outros, são ameaçados com uma tarifação ainda mais alta. Sem surpresa nenhuma, essa situação criou a possibilidade adicional de provocar a tarifação recíproca sobre as exportações americanas para outros países, e também de embaralhar o mercado de dispositivos médicos. Acrescente-se a isso a volatilidade característica das negociações de tarifas, já que não é raro termos épocas em que elas incidem ou não. Isso dificulta ainda mais para a empresa planejar com qualquer grau de certeza.

Embora a repercussão não seja a mesma, atualmente a União Europeia e a China travam uma disputa semelhante por restrições a dispositivos médicos que também pode ter extensas implicações. Recentemente, a UE aprovou a proibição de participação da China em licitações públicas para a aquisição de dispositivos médicos por meio de contratos avaliados em mais de cinco milhões de euros, o que resultou no correspondente banimento de empresas do bloco europeu na China.

Ainda não se sabe exatamente quais serão as repercussões. Sabe-se, contudo, que está cada vez mais difícil importar dispositivos ou suprimentos de outros países ou exportá-los sem sofrer prejuízos. A esses desafios se somam os problemas normais da cadeia de suprimentos, barreiras regulatórias e a concorrência estrangeira mais barata. Hoje, ter sucesso no mercado está mais difícil do que nunca.

Como se manter na dianteira

É claro, o mercado sempre foi fluido – isso não é um fenômeno novo. Mas a velocidade com que as mudanças vêm ocorrendo exige da sua empresa ainda mais fluidez ao montar sua estratégia comercial para fechar contratos. A verdade é que a agilidade no planejamento e nos objetivos nunca foi tão importante.é

Estratégia n.1: reavalie seus planos e objetivos com frequência

Sua empresa tem um plano de vendas que é reavaliado anualmente para que atenda às metas e objetivos do próximo ano? Pode ser o momento de revisar esses planos com mais frequência: a cada trimestre, mês ou até mesmo de forma ad hoc, se novas situações surgirem. Com toda a volatilidade atual do mercado, sua empresa precisa ser capaz de ajustar a rota diante de novos desafios, sem desperdiçar um ano inteiro de avanços.

Se sua operação é grande, você precisa de ainda mais oportunidades de agilidade em relação a quem é possível recorrer para fins de obtenção de suprimentos, manufatura, distribuição e outras facetas importantes do processo de produção. “As cadeias de suprimentos globais estão sob constante pressão, e as notícias recentes sobre a possível aplicação de tarifas pelos Estados Unidos complicaram ainda mais as coisas”, diz Marc Duocastella, gerente-geral da Philips México. “Para superar esses desafios, a Philips diversifica sua produção entre fábricas em todo o mundo. Se uma dessas unidades tiver algum problema, temos outras alternativas.”

É claro, seja a sua empresa grande ou pequena, é necessário um esforço concentrado para agilizar sua operação diante de incertezas. No entanto, ao priorizar a agilidade e incorporá-la às operações cotidianas, até grandes marcas com processos bem estabelecidos conseguem agilizar ainda mais os fluxos de trabalho. O atual ambiente comercial pode exigir isso para que a empresa mantenha o sucesso.

Estratégia n.2: crie fidelidade de marca

Embora a capacidade de se adaptar seja essencial para enfrentar as incertezas do mercado, existe uma outra estratégia fundamental, um tanto tradicional, para sobreviver à tempestade: manter um bom relacionamento com o cliente. Uma verdadeira relação de fidelidade com uma clientela sólida tende a perseverar, independentemente das flutuações do mercado, quando razoáveis.

Embora a construção de fidelidade de marca seja um princípio antigo para qualquer negócio, os métodos de fomento dessas relações mudaram muito. Uma abordagem nova adotada por muitas empresas é deixar as vendas crescerem organicamente recrutando profissionais de saúde como “embaixadores da marca” e transferindo-lhes a responsabilidade pela evangelização sobre o valor dos produtos da empresa.

Encare esses embaixadores da marca como influenciadores digitais em uma escala muito maior e estratégica. Se você escolher cuidadosamente a pessoa certa, bem conectada e que pode falar bem dos seus produtos nos canais adequados, a boa reputação da empresa tenderá a crescer sozinha, sem precisar do envolvimento da equipe de vendas. Ter alguém de fora da empresa como defensor do produto também dá um ar de autenticidade e pode ajudar a convencer outras pessoas menos propensas a serem influenciadas por métodos de vendas convencionais.

Seja qual for a abordagem adotada, os especialistas concordam que uma boa carteira de clientes fiéis é crucial para superar as incertezas de qualquer mercado. “Temos uma base de 400 pessoas em todo o México, e algumas trabalham com a empresa há mais de 30 anos”, diz Duocastella. “Eles são mais uma família do que clientes.”

Estratégia n.3: pesquise e compartilhe resultados

Embora a publicidade boca a boca certamente não prejudique o fortalecimento da marca durante tempos de incerteza, uma outra estratégia bem recebida pelos profissionais de saúde é a oferta de dados concretos. Evidências clínicas de boa confiabilidade, bom desempenho e boa segurança são altamente levados em consideração quando as pessoas avaliam usar o seu produto. Resultados melhores em relação às soluções de mercado existentes também impulsionam vendas e contratos de licitação.

As pesquisas clínicas provavelmente já são parte fundamental do processo da sua empresa. Por isso, a chave para a estratégia de vendas e propostas é compartilhar esses resultados com clientes em potencial. Melhor ainda se esses dados forem desenvolvidos e distribuídos eficazmente para causar um impacto mais contundente.

Estratégia n.4: garanta a qualidade

Por fim, uma estratégia de vendas eficiente depende de um bom produto. Bons produtos que atendem a uma necessidade de mercado legítima precisam ter uma boa chance de sobreviver às diferentes intempéries do mercado. Ao começar com bons produtos, divulgar seus benefícios por meio de evidências clínicas e embaixadores da marca e manter a agilidade estratégica para lidar com as flutuações da economia, sua empresa estará bem posicionada para triunfar em um mercado em constante evolução.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências de vendas internacionais e seu possível impacto no setor de saúde na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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As estratégias de produtos e preços mais assertivas para ganhar licitações https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/as-estrategias-de-produtos-e-precos-mais-assertivas-para-ganhar-licitacoes/ Wed, 25 Jun 2025 05:50:01 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/as-estrategias-de-produtos-e-precos-mais-assertivas-para-ganhar-licitacoes/ Guillaume Corpart

A principal ênfase das empresas de dispositivos e equipamentos médicos costuma ser a inovação no setor. E faz sentido elas se concentrarem nessa área, já que empresas que não estão na vanguarda podem ficar facilmente para trás.

Ocorre que, embora a inovação seja a força motriz de qualquer empresa médica, táticas complementares podem ser necessárias para impulsionar as vendas em mercados específicos. Isso é particularmente verdadeiro em subsegmentos dos mercados de saúde da América Latina.

Embora os equipamentos mais novos e tecnologicamente avançados possam ser atraentes para hospitais privados em áreas ricas, as empresas de equipamentos focadas em volume de vendas na região precisam se lembrar que, na América Latina, cerca de 70% dos procedimentos médicos ocorrem no setor público. E essas instituições públicas geralmente tentam suprir as necessidades com um orçamento muito mais apertado que o das instalações privadas.

Dito isso, esses 70% representam uma imensa oportunidade para empresas que abordam o mercado com a estratégia certa de preços e produtos. Pensando nisso, apresentamos algumas ideias para ajudar a formular uma abordagem de vendas mais assertiva para ganhar licitações na região.

Estratégia nº 1: O “bom o suficiente” tem seu lugar

Claro que essa não é uma mentalidade para se adotar em campanhas de marketing e relações públicas voltadas para o cliente mas, quando se trata da estratégia interna de vendas para o setor público da América Latina, “bom o suficiente” pode ser surpreendentemente eficaz para impulsionar as vendas.

Pense assim: o setor público ainda quer o melhor que pode pagar para seus pacientes, mas a realidade é que poucas instituições têm recursos para comprar os equipamentos mais modernos e completos. Se, no entanto, conseguir criar uma estratégia que forneça às instituições dispositivos confiáveis e de alta qualidade a um preço mais baixo, você terá boas chances de atrair o mercado de massa.

Essencialmente, o que essas instituições buscam é uma boa relação qualidade-preço que caiba no orçamento. O preço é importante, claro, mas não é tudo. A estratégia mais assertiva é encontrar o equilíbrio entre um produto de alta qualidade e o preço certo para seus clientes.

“Se você falar com hospitais privados, é provável que digam que querem IA, robótica e equipamentos de ponta. Já outros hospitais têm necessidades muito básicas”, diz o diretor mexicano de um grande fabricante de dispositivos médicos. “É essencial entender os dois lados para conhecer as diferenças e oferecer os serviços certos para cada instituição. Precisamos ser maleáveis para ajudar todos os pacientes com o máximo de efetividade.”

Estratégia nº 2: Desenvolva relacionamentos por meio de comunicação, treinamento e serviço

Vendedores experientes sabem que mesmo os modelos mais econômicos de multinacionais ainda enfrentam grandes desafios de vendas por conta da concorrência de produtos asiáticos mais baratos. É aqui que os princípios do atendimento ao cliente à moda antiga podem entrar em cena e virar o jogo a seu favor.

Seus clientes precisam saber que você não está apenas vendendo um equipamento ou dispositivo médico: você está vendendo uma equipe de profissionais dedicados ao sucesso das instalações e à saúde e bem-estar dos pacientes deles. Ao tirar o foco do preço e direcioná-lo para fatores como treinamento, manutenção e suporte contínuos que são oferecidos junto com o equipamento, você pode se destacar da concorrência, mesmo que seu posicionamento de preço seja ligeiramente superior.

Essa é uma abordagem que, além de fazer a sua empresa ganhar mais licitações no curto prazo, também é ótima para fidelizar clientes. É também uma estratégia que muitas empresas menores com presença limitada na região não conseguirão replicar facilmente.

Estratégia nº 3: Vendas de portfólio para ganhar contas

Ganhar licitações para fornecer um equipamento é uma coisa, mas a verdadeira medida do sucesso duradouro no mercado é a transição de vendas baseadas em dispositivos para vendas baseadas em contas. Para isso, sua empresa precisa de um portfólio complementar que atenda a várias necessidades de uma instituição ou mercado ao mesmo tempo.

“Concentramos nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para entender onde nossas ofertas podem fazer a maior diferença e como podemos nos especializar para atender às necessidades das organizações”, afirma Marc Duocastella, gerente-geral da Philips México. “Também fazemos parcerias com profissionais de saúde para determinar a direção que precisamos seguir.”

Isso se resume, em última análise, à diversificação de produtos. No entanto, deve ser uma diversificação bem fundamentada, baseada na comunicação aberta com os clientes e em uma compreensão profunda das necessidades de cada mercado ou instalação. “Tentamos ser abrangentes em nossas ofertas, sejam elas relacionadas a cuidados vasculares, oncologia ou outros dispositivos, para atender às necessidades de uma ampla variedade de pacientes”, diz Sergio Arturo Dominguez Miranda, chefe de radiologia intervencionista e cuidados cardiovasculares da Siemens Healthineers para a América Latina. “Sabemos também que somos apenas uma parte da jornada de cuidados de nossos pacientes. Daí a importância de firmar parcerias com outras empresas para prestar cuidados abrangentes.”

Estratégia nº 4: Forme equipes para ganhar licitações

Mesmo com preços competitivos, atendimento de excelência e um portfólio diversificado de produtos, não há dúvida de que o mercado de licitações está mais competitivo do que nunca. As empresas locais enfrentam não apenas desafios de concorrentes estrangeiros, mas também obstáculos persistentes na cadeia de suprimentos que podem afetar desde a fabricação até a precificação.

Empresas bem-sucedidas perceberam a necessidade de uma mudança de paradigma na avaliação e participação de processos licitatórios. E essa mudança exige muito mais do que apenas vendedores. Um bom começo, caso já não tenha feito isso, é alocar recursos para formar equipes dedicadas a ganhar contas para a sua empresa. Essas equipes podem fazer o trabalho pesado de desenvolver relacionamentos, avaliar necessidades, assegurar que sua empresa tenha o portfólio de produtos disponível para satisfazer essas necessidades e, em um segundo momento, complementar esse portfólio com treinamento, manutenção e qualquer outro suporte necessário. Todos esses elementos formam uma estratégia vencedora que ajudará a sua empresa a ganhar licitações, mesmo que seus preços sejam um pouco mais altos que os da concorrência.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências de vendas internacionais e seu possível impacto no setor de saúde na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Os desafios do comércio internacional na gestão Trump 2.0 https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/os-desafios-do-comercio-internacional-na-gestao-trump-2-0/ Thu, 29 May 2025 02:21:06 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/os-desafios-do-comercio-internacional-na-gestao-trump-2-0/ Guillaume Corpart

Seja por conta da logística, do transporte, das regulamentações governamentais ou de outras questões, o comércio internacional sempre traz desafios únicos, especialmente no setor de equipamentos médicos. E as tarifas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs a vários de seus parceiros comerciais tornaram esse ambiente ainda mais imprevisível.

Essas tarifas geram impactos de grande proporção, como uma taxa básica de 10% para a maioria dos países que exportam bens aos EUA, embora o México tenha sido ainda mais afetado com uma alíquota de 25% sobre as importações. Em um futuro próximo, outros países e regiões – da União Europeia à Guiana – também poderão arcar com uma alíquota mais alta. Alguns países impuseram tarifas recíprocas sobre as importações dos EUA, o que complicará a dinâmica do comércio internacional de equipamentos e dispositivos médicos de cuja importação a América Latina depende fortemente.

Estratégias para se manter forte na América Latina

O que empresas internacionais dos setores de saúde e equipamentos médicos podem fazer diante desse ambiente de incerteza comercial? Felizmente, elas podem se concentrar em alguns princípios fundamentais para manter suas vantagens comerciais e se manter à frente das rápidas mudanças que vêm ocorrendo. Vejamos algumas das principais estratégias que essas organizações podem adotar para manter boas relações comerciais na América Latina, mesmo em um cenário comercial cada vez mais complexo.

Estratégia nº 1: Procure oportunidades locais

Se a sua empresa já investe muito na América Latina, uma das melhores maneiras de evitar os desafios relacionados ao frete, logística e tarifas retaliatórias é manter o máximo de negócios possível na região. Se você já tem um grande volume de negócios em uma área, analise a possibilidade de ampliar a operação em outras frentes, como na de armazenamento, distribuição e fabricação.

“As cadeias de suprimentos globais estão sob constante pressão, e as notícias recentes sobre a aplicação de tarifas pelos Estados Unidos complicaram ainda mais as coisas”, diz Marc Duocastella, gerente-geral da Philips México. “Para superar esses desafios, a Philips diversifica sua produção entre fábricas em todo o mundo. Se uma dessas unidades tiver algum problema, temos outras alternativas.”

Sergio Arturo Dominguez Miranda, head de tratamento cardiovascular e radiologia intervencionista da Siemens Healthineers para a América Latina, concorda que o foco na produção perto da fonte é fundamental para a solução de desafios associados às cadeias de suprimentos – e há muitas oportunidades para essa produção na América Latina. “Não há dúvidas de que existem oportunidades para ampliar a produção aqui”, afirma. “Temos instalações na Costa Rica, Brasil, México e outros locais da região, mas continuamos crescendo.”

Ainda que a sua empresa não possa produzir localmente, vale a pena buscar outras parcerias ou iniciativas estratégicas com empresas locais. Bons relacionamentos com parceiros locais podem oferecer à sua empresa vantagens sobre a concorrência, mesmo diante de desafios econômicos. Investir pesadamente em diferentes regiões também oferece outros benefícios além dos logísticos, como o aumento da resiliência do seu negócio como um todo. A diversificação geográfica pode ajudar a proteger a empresa de fatores econômicos inesperados em regiões específicas.

Estratégia nº 2: Otimize suas operações

Ninguém gosta de falar em cortes de custos, mas essa é a realidade em muitas situações. Ao pensar de forma inovadora, as empresas podem identificar maneiras de manter a solidez dos negócios com um impacto limitado no preço dos produtos ou na força de trabalho.

Steven Bipes, vice-presidente de estratégia e análise global da Advanced Medical Technology Association (AdvaMed), destaca que, para as empresas, o custo de lidar com atrasos regulatórios e com o processo de aprovação em diferentes países latino-americanos pode acabar superando o das tarifas. “Nossas estimativas indicam que, no total, as regulamentações desnecessárias têm um impacto financeiro de cerca de US$ 50 bilhões por ano na América Latina”, diz. Ao trabalhar em estreita colaboração com reguladores do governo para garantir um processo harmonioso de entrada e adoção na região, a empresa pode aumentar a eficiência e economizar milhões, afirma o executivo.

As empresas também podem otimizar suas operações e torná-las mais eficientes analisando mais a fundo sua cadeia de suprimentos. Sejam melhorias em rotas comerciais, ajustes em práticas de transporte ineficientes ou cortes de gastos desnecessários, geralmente há maneiras de otimizar a operação sem recorrer à demissão de pessoal. Você pode, por exemplo, encontrar uma rota ou método mais eficiente para o envio de suprimentos ou equipamentos necessários. Em alguns casos, é possível agrupar ou consolidar materiais para gerar economias de custo. O empacotamento é outro fator que pode elevar significativamente os custos e que, portanto, merece mais atenção. Com o tempo, é comum surgirem ineficiências na cadeia de suprimentos, razão pela qual todos esses fatores precisam ser revistos.

Os bancos de dados regionais detalhados da GHI sobre hospitais e centros médicos, incluindo, entre outros, o HospiScope, PriceScope e SurgiScope, também podem ajudar a sua empresa a refinar sua estratégia comercial e adaptar as ofertas às necessidades reais dos hospitais e centros médicos. Isso pode minimizar o desperdício de esforços e maximizar as iniciativas de prospecção que efetivamente resultam em vendas.

Na América Latina, parte dessa estratégia consiste em entender as diferenças entre os mercados público e privado e adaptar as ofertas da sua empresa ao público-alvo dos seus equipamentos. “Se você falar com hospitais privados, é provável que digam que querem IA, robótica e equipamentos de ponta. Já outros hospitais têm necessidades muito básicas”, observa Hector Orellana, vice-presidente da Medtronic para a América Latina do Norte. “É essencial entender os dois lados para conhecer as diferenças e oferecer os serviços certos para cada instituição. Precisamos ser maleáveis para ajudar todos os pacientes com o máximo de efetividade.”

Estratégia nº 3: Explore estratégias disruptivas

Em um cenário comercial hostil e em constante transformação, as empresas não podem seguir a mesma estratégia de sempre e esperar que ela continue a dar resultados. Em mercados desafiadores, pensar de forma atípica e até disruptiva é a chave para transformar uma estagnação ou queda nas vendas em vantagem comercial.

Tomemos como exemplo o crescente volume de fabricantes asiáticos (mais especificamente, chineses) de suprimentos e equipamentos médicos. Muitas empresas estão tendo dificuldade para competir em preço no que parece ser uma “corrida para o fundo do poço”. Nesse caso, o pensamento disruptivo é a abordagem oposta: o que você precisa é fazer a maior qualidade (e preço) do seu produto trabalhar a seu favor, promovendo confiança e posicionando a sua empresa como aliada estratégica dos seus clientes. Com isso, seus equipamentos se tornarão mais desejáveis que os de competidores mais baratos. Segurança, durabilidade e confiabilidade são alguns fatores críticos para a tomada de decisões.

Você pode ir ainda mais longe se reforçar seu portfólio com treinamento de produtos, suporte a produtos e certificações médicas. Se, além de confiarem na sua empresa pelos produtos de alta qualidade fornecidos, seus clientes também puderem contar com você para tudo o que precisarem para usar esses produtos da melhor maneira, você estará no caminho certo para fidelizar esses clientes para o resto da vida, mesmo que o custo seja um pouco mais alto.

Outra estratégia disruptiva que gerou bons resultados especificamente na América Latina é adaptar as ofertas às necessidades específicas de hospitais públicos e privados. Pode ser que a sua empresa venda dispositivos e equipamentos com as últimas tecnologias e que haja um pequeno número de hospitais e centros privados na região disposto a pagar mais pelo que há de melhor e mais moderno.

Ocorre que muitos hospitais e centros médicos na América Latina podem estar mais interessados em ampliar o acesso aos serviços de saúde do que em oferecer a tecnologia mais moderna, buscando economias de custo ao longo do processo. Embora eles ainda queiram equipamentos bons e confiáveis, alternativas um pouco menos avançadas, mas que também sejam confiáveis e mais acessíveis, atenderão perfeitamente às suas necessidades. Com uma estratégia adaptável que atenda ambos os mercados, você pode aumentar suas vendas na região sem sacrificar a inovação.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências nas vendas internacionais e seu potencial impacto no setor de saúde da América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Como a América Latina está combatendo doenças crônicas https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/como-a-america-latina-esta-combatendo-doencas-cronicas/ Fri, 28 Mar 2025 01:14:46 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/como-a-america-latina-esta-combatendo-doencas-cronicas/ Por Guillaume Corpart

Doenças crônicas como condições cardíacas, diabetes e obesidade são problemas cada vez mais frequentes no mundo inteiro, não apenas na América Latina. Mas cada um dos vários países da região enfrenta desafios específicos no enfrentamento dessas doenças – e em todos elas vêm crescendo de forma contínua ao longo dos anos.

Para exemplificar esse cenário, o número de adultos com diabetes no Brasil em 2022 totalizava cerca de 15 milhões, com outros 14 milhões no México, e esses números devem aumentar ainda mais com o tempo. Só no México, os adultos têm o dobro do índice de diabéticos tipo 2 que os europeus ou os norte-americanos brancos.

A obesidade impõe desafios semelhantes na América Latina. Segundo projeções recentes da The Lancet, a prevalência de sobrepeso na população da região é de 57%, enquanto a de obesidade alcança 19%. Esses percentuais são maiores que os índices mundiais de sobrepeso e obesidade, que giram em torno de 39% e 13%, respectivamente.

No que se refere a doenças cardíacas, as perspectivas para a América Latina são um pouco mais animadoras, mas, assim como no resto do mundo, ainda há muito a ser feito na região. As doenças do coração ainda são a principal causa de morte de pessoas no mundo e na América Latina. De acordo com o periódico International Journal of Cardiology, no entanto, os índices na região na verdade caíram entre 1990 e 2019 quando padronizados por idade. A pressão alta, ou hipertensão, também continua sendo um grande problema na região, já que 35,4% dos adultos de 30 a 79 anos sofrem da doença.

Percentual de latino-americanos com diabetes por país (2021)

Índices de sobrepeso e obesidade na América Latina por país

Iniciativas de combate a doenças crônicas

Felizmente, várias grandes organizações médicas estão cientes dos desafios impostos por essas doenças crônicas em toda a região e vêm agindo para reduzir sua prevalência. Um exemplo notável é a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que tem avançado na implementação do Plano de Aceleração da OMS para Acabar com a Obesidade em toda a região da América Latina. Os nove países à frente dessa iniciativa são Argentina, Barbados, Brasil, Chile, México, Panamá, Peru, Trinidad e Tobago e Uruguai.

O plano da OPAS abrange diversas estratégias, entre as quais:

  • Regulamentação da comercialização de produtos alimentícios não saudáveis
  • Aplicação de rótulos de advertência na parte frontal da embalagem de alimentos não saudáveis
  • Melhoria da qualidade dos alimentos oferecidos nas escolas
  • Promoção do aleitamento materno
  • Melhoria das iniciativas de incentivo à atividade física em ambientes públicos e nas escolas
  • Adoção de políticas fiscais que promovam dietas saudáveis
  • Fortalecimento da atenção primária à saúde

A OPAS também implementa a Iniciativa Melhor Atenção às DNTs, que tem como objetivo melhorar de diversas maneiras os cuidados primários prestados a pessoas com doenças não transmissíveis. Essa iniciativa busca fortalecer a capacidade dos prestadores de cuidados primários de coletar dados, criar um plano de cuidados abrangente e oferecer opções completas de triagem, diagnóstico, tratamento e acompanhamento para pacientes com obesidade, diabetes, doenças cardíacas, câncer, problemas respiratórios e outras condições de saúde.

O Grupo Banco Mundial é outra organização empenhada em melhorar os resultados de pessoas com doenças crônicas por meio da ampliação do acesso a cuidados de saúde. A organização desenvolve 28 projetos de saúde na América Latina, com investimentos que somam US$ 3,9 bilhões. O objetivo é garantir o acesso de 1,5 bilhão de pessoas a serviços de saúde acessíveis e de qualidade até 2030. Um desses projetos é o Plano Nacer/Sumar, executado na Argentina, que oferece acesso a assistência médica a milhões de famílias sem plano de saúde.

Os governos regionais também vêm avançando no combate à obesidade e aos problemas de saúde associados à doença. No México, por exemplo, o governo anunciou a iniciativa Vive Saludable, Vive Feliz (Viva Saudável, Viva Feliz) no início de 2025. O programa inclui um censo nacional de saúde, a proibição da venda de alimentos não saudáveis nas escolas e ações educativas sobre a importância de seguir uma dieta saudável e praticar atividades físicas. Esse programa evidencia o foco do governo mexicano não só no tratamento das doenças, mas também na prevenção.

O governo brasileiro tem uma estratégia semelhante para prevenir a obesidade infantil, conhecida como PROTEJA, que foi lançada em 2021. Esse programa, que envolve diversas áreas da comunidade, como saúde, educação, assistência social, agricultura, desenvolvimento urbano e muitas outras, tem como objetivo promover uma alimentação saudável e a prática de atividades físicas entre os jovens do país. Mais de 1.320 comunidades de todas as regiões do Brasil aderiram ao PROTEJA, que em 2022 recebeu o Prêmio da Força-Tarefa das Nações Unidas para a Prevenção e Controle de Doenças Crônicas não Transmissíveis.


O papel da saúde digital

Uma outra medida essencial para reduzir a prevalência e as mortes relacionadas a doenças crônicas é a ampliação do acesso a soluções de saúde digitais, como aplicativos móveis, monitoramento, tecnologias vestíveis e telemedicina. A Organização Mundial da Saúde estima que o aumento da adoção dessas tecnologias pode ajudar a evitar mais de dois milhões de mortes e sete milhões de internações ou eventos agudos na próxima década.

Além de reduzir de várias maneiras os riscos de doenças como obesidade, diabetes e problemas cardíacos, entre outras, as diferentes soluções de saúde digital também podem melhorar os resultados de saúde nos próximos anos. Por exemplo, os aplicativos móveis podem fornecer informações educativas, monitorar o consumo de alimentos, álcool e tabaco, comportamentos diários e muito mais. Quando registram, monitoram e se atentam a esses comportamentos, as pessoas podem começar a fazer mudanças positivas.

Dispositivos de monitoramento e tecnologias vestíveis também podem oferecer aos pacientes acesso a dados como pressão arterial, peso, frequência cardíaca, níveis de açúcar no sangue e muito mais. Se tiver acesso direto a essas informações, o profissional de saúde poderá fornecer conselhos e intervenções em tempo hábil para evitar problemas futuros.

E, por fim, temos a telemedicina, que já ampliou o acesso de milhões de latino-americanos a cuidados de saúde e tem o potencial de ajudar outros milhões. A possibilidade de receber atendimento e falar diretamente com um profissional de saúde por telefone faz com que pessoas que vivem em áreas remotas ou são muito ocupadas tenham muito mais facilidade para obter os cuidados de que precisam sem a necessidade de agendar uma consulta presencial.

Esse é apenas o começo das oportunidades para a prevenção de doenças crônicas à medida que a tecnologia continua a evoluir. Os fabricantes de equipamentos médicos já começaram a usar inteligência artificial para fazer diagnósticos mais precisos e oferecer tratamentos mais assertivos.


Principais conclusões para empresas do setor de saúde

Apesar dos avanços nas iniciativas governamentais, nas tecnologias e nos tratamentos, não há dúvidas de que problemas de saúde pública como obesidade, diabetes e hipertensão, entre outros, continuarão a ser desafios intrínsecos ao setor de saúde latino-americano por muitos anos. Se a sua empresa fornece suprimentos, dispositivos ou equipamentos médicos nesse mercado, você está diante de uma oportunidade única de fazer parte da solução nos próximos anos.

É evidente que governos regionais e grandes organizações de saúde estão centrados na prevenção e no tratamento de doenças não transmissíveis, ou DNTs. Qualquer tecnologia ou medicamento voltado para a prevenção, educação, diagnóstico ou tratamento de problemas de saúde pública, como obesidade, diabetes ou doenças cardíacas, certamente atrairá grande interesse em um contexto em que os países continuam a lutar contra esses problemas e tentam reduzir sua incidência.

Várias organizações também já identificaram que outro grande problema no combate a essas DNTs é o acesso a um atendimento de qualidade. Qualquer dispositivo ou tecnologia que melhore o acesso ao atendimento, seja por meio de tecnologias vestíveis ou de monitoramento ou da telemedicina, tende a ter uma vantagem competitiva no mercado latino-americano.


Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências no setor de saúde e seu potencial impacto na indústria farmacêutica e no mercado de aparelhos e equipamentos médicos na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Novidades na indústria farmacêutica: regulamentações e inovações recentes na América Latina https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/novidades-na-industria-farmaceutica-regulamentacoes-e-inovacoes-recentes-na-america-latina/ Wed, 26 Feb 2025 18:31:16 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/novidades-na-industria-farmaceutica-regulamentacoes-e-inovacoes-recentes-na-america-latina/ Por Guillaume Corpart

Com tanta atenção dedicada nos últimos anos à inteligência artificial e aos avanços de dispositivos, quase passou despercebido um dos grandes players do mercado de saúde: a indústria farmacêutica. Seja por suas inovações, pela crescente oferta de medicamentos genéricos ou pelas mudanças regulatórias dos mercados, a indústria farmacêutica ainda tem papel importante no mercado da saúde da América Latina e do mundo.

Diante disso, é uma boa ideia examinarmos algumas alterações recentes relacionadas à indústria farmacêutica no mercado de saúde latino-americano e como essas mudanças podem afetar sua empresa. Analisaremos as novas regulamentações, novos medicamentos e como tudo isso impacta a cadeia de suprimentos global.

 


 

O impacto das mudanças regulatórias

Em meio a tantos mercados e regulamentações na América Latina, é comum os fabricantes farmacêuticos reclamarem da dificuldade de fazer negócios na região. Felizmente, o ano de 2025 promete trazer melhorias para a normatização do setor. Vários países latino-americanos trabalham para acelerar e simplificar o processo de aprovação de produtos farmacêuticos, o que pode resultar em um ambiente mais favorável para as empresas que tentam introduzir seus medicamentos nesses mercados.

No Brasil, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) adotou uma nova resolução em 21 de janeiro com o objetivo de descomplicar o processo de registro de produtos biológicos, como vacinas, radiofármacos e medicamentos genéricos. A norma também simplifica a realização de correções, novas indicações, descontinuações e outros processos relacionados a produtos farmacêuticos. Para se valerem desse processo simplificado, as empresas já devem ter pelo menos um medicamento ou produto biológico aprovado no mercado brasileiro.

Outros mercados da América Latina, como República Dominicana e Colômbia, anunciaram medidas semelhantes nos últimos meses. Em julho de 2024, a Argentina divulgou uma série de medidas destinadas a abrandar as restrições impostas a produtos farmacêuticos, incluindo ações para permitir a oferta de mais medicamentos genéricos, reduzir os requisitos para a abertura de farmácias e autorizar outros tipos de comércios a vender medicamentos de venda livre.

O México adotou iniciativas semelhantes para promover pesquisas clínicas e melhorar o acesso a medicamentos genéricos e biossimilares. Curiosamente, o país parece mirar não apenas no acesso local, mas também na oferta desses fármacos em mercados externos, como o dos Estados Unidos. Para os fabricantes de produtos farmacêuticos, isso significa mercados mais amistosos e abertos nos próximos anos para versões novas ou genéricas de medicamentos.

 


  

Medicamentos genéricos: um mercado em ascensão

Uma análise cuidadosa dessas mudanças regulatórias mostra que o crescimento dos medicamentos biossimilares e genéricos na América Latina talvez não seja uma surpresa. Com o aumento dos preços dos medicamentos especializados na região, a oferta de alternativas genéricas mais baratas tornou-se essencial para as pessoas que precisam deles. A simplificação das restrições regulatórias em países como Brasil, Argentina e Colômbia facilitou a entrada desses fármacos no mercado.

Os medicamentos genéricos já eram um elemento fundamental do mercado de saúde na América Latina, respondendo por quase metade das vendas das farmácias entre 2015 e 2019. Essa tendência de crescimento deve continuar nos próximos anos, principalmente com a redução das restrições no mercado. A tabela abaixo mostra a projeção de crescimento nos próximos anos.

Vendas de medicamentos genéricos e biossimilares na América Latina 

  • % de venda de medicamentos genéricos em farmácias entre 2015 e 2019: 45%
  • Valor do mercado de biossimilares da América Latina em 2018: $517 mi
  • Projeção do valor do mercado de biossimilares na América Latina em 2025: $3,9 bi
  • Taxa de crescimento anual composta (CAGR) do mercado de biossimilares entre 2018  e 2025:  33%
  • Projeção mundial do mercado de biossimilares para 2032: $893 bi

Fonte: https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-law-medicine-and-ethics/article/pharmaceutical-market-for-biological-products-in-latin-america-a-comprehensive-analysis-of-regional-sales-data/6AE11D8A159BD46B0CA243A1BAC709A7

 


 

Como a indústria farmacêutica local impacta a cadeia de suprimentos global

Podemos notar pela tabela acima que os analistas do mercado preveem uma verdadeira explosão nas vendas de genéricos e biossimilares nos próximos anos. Na verdade, a projeção é tão grande que pode alterar significativamente o papel das empresas farmacêuticas locais e menores no mercado geral, tanto latino-americano como mundial.

Embora a maior parte do mercado latino-americano seja dominada pelas grandes multinacionais, existem quase 2 mil empresas farmacêuticas de menor porte na região. Esse fato, aliado ao abrandamento das restrições à produção de medicamentos genéricos e biossimilares na América Latina, permite que as empresas locais estejam bem posicionadas para fabricar e vender medicamentos genéricos e biossimilares na região e em outros países.

Em toda a América Latina começam a surgir medidas para expandir a produção e a oferta dessas medicações. No Brasil e na Colômbia, por exemplo, foram criadas iniciativas para que empresas locais comecem a produzir e oferecer versões genéricas de medicamentos populares.

 


 

Principais conclusões para empresas de saúde

Com a redução das restrições e a adoção de medidas para melhorar o acesso a medicamentos genéricos e biossimilares na América Latina, os fabricantes de produtos farmacêuticos estão estrategicamente posicionados para aproveitar essas mudanças regulatórias e do mercado nos próximos meses e anos.

Grandes multinacionais do setor farmacêutico com forte presença na região devem manter o crescimento graças à simplificação do processo de análise, aprovação e introdução de medicamentos no mercado de muitos países. Um desafio interessante para essas empresas de grande porte nos próximos anos pode surgir do aumento da concorrência, à medida que mais medicamentos genéricos e biossimilares, produzidos por laboratórios menores, entram no mercado. Empresas maiores podem continuar acima da curva mantendo a agilidade e a inovação no setor farmacêutico.

As recentes mudanças regulatórias serão vantajosas para empresas farmacêuticas menores e regionais que têm como foco principal medicamentos genéricos e biossimilares. O mercado latino-americano está aberto a esses medicamentos, com uma redução nunca antes vista nos obstáculos à aprovação e ao acesso.

 


 

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências no setor de saúde e seu potencial impacto na indústria farmacêutica da América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode oferecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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