Global Health Intelligence – Healthcare Market Insights for Emerging Markets https://globalhealthintelligence.com/pt-br/ The leading source for hospital data and market intelligence across Latin America and Asia. Wed, 14 Jan 2026 15:32:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://globalhealthintelligence.com/wp-content/uploads/2025/11/cropped-Profile-32x32.png Global Health Intelligence – Healthcare Market Insights for Emerging Markets https://globalhealthintelligence.com/pt-br/ 32 32 Sinais vitais e reconfigurações geopolíticas: como as estratégias dos EUA na América Latina redefinirão o mercado de equipamentos médicos https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/sinais-vitais-e-reconfiguracoes-geopoliticas-como-as-estrategias-dos-eua-na-america-latina-redefinirao-o-mercado-de-equipamentos-medicos/ Wed, 14 Jan 2026 15:06:44 +0000 https://globalhealthintelligence.com/analise-de-ghi-pt-br/sinais-vitais-e-reconfiguracoes-geopoliticas-como-as-estrategias-dos-eua-na-america-latina-redefinirao-o-mercado-de-equipamentos-medicos/ Guillaume Corpart

A América Latina atravessa atualmente um profundo realinhamento geopolítico. Historicamente marcada por intervenções externas – primeiro europeias e, posteriormente, norte-americanas sob a égide da Doutrina Monroe –, a região volta a se consolidar como um palco central da competição entre grandes potências. Esse movimento vai muito além do discurso, materializando-se em uma retomada assertiva da atuação dos Estados Unidos na região com o objetivo de conter influências externas e reafirmar sua hegemonia no hemisfério.

Essa agressiva reviravolta geopolítica traz implicações profundas e generalizadas para os setores comerciais. Poucos segmentos, no entanto, são tão sensíveis a esse tipo de mudança – ou tão estratégicos para a estabilidade nacional – quanto o mercado de equipamentos e dispositivos médicos. À medida que Washington intensifica sua pressão econômica e militar sobre a região, o mercado de equipamentos e dispositivos médicos caminha para enfrentar sua mais relevante disrupção desde o início da pandemia de Covid-19.

A guinada do poder coercitivo: Washington volta a exercer controle

Durante anos, ganhou força a percepção de declínio da influência dos Estados Unidos na América Latina, atribuída a uma postura de negligência que abriu espaço para a atuação de outros atores globais. Esse período agora dá claros sinais de ter chegado ao fim. Washington passou a adotar uma estratégia ancorada no uso do poder e da diplomacia coercitivos com o intuito de assegurar o alinhamento regional aos interesses dos Estados Unidos.

A expressão mais contundente dessa nova realidade foi a recente operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A ação provocou um choque imediato em todas as capitais do Hemisfério Ocidental e deixou claro que os Estados Unidos estão dispostos a recorrer à intervenção direta para alcançar seus objetivos estratégicos.

Em uma escala menos dramática, os EUA continuam buscando impor sua agenda regional por outros meios. Advertências pouco veladas dirigidas a importantes atores da região, como México e Colômbia, em temas como conformidade comercial, controle migratório e política antidrogas, reforçaram a mensagem central: o alinhamento com Washington já não é mais opção.

É inevitável que essas ações gerem tensões profundas nas relações comerciais entre os países. Quando a diplomacia passa a ser conduzida sob a ótica da segurança nacional e da capacidade militar, as relações comerciais tradicionais tornam-se instáveis e imprevisíveis. As preocupações em torno da soberania se intensificam, e os países passam a encarar com cautela o uso de instrumentos econômicos como ferramentas de pressão política. O efeito imediato dessa postura é a criação de um ambiente de incerteza, que obriga os governos latino-americanos a reavaliar seus riscos de política externa, suas prioridades econômicas e suas alianças estratégicas.

O contexto: o dragão na sala de cirurgia

Para compreender o impacto desse ressurgimento dos Estados Unidos sobre o mercado médico, é necessário, antes, entender o status quo atual. Ao longo da última década – e de forma especialmente acelerada durante a pandemia de Covid-19 –, a China consolidou-se como a principal fornecedora de dispositivos e equipamentos médicos para a América Latina.

Quando a pandemia eclodiu e países ocidentais passaram a reter ventiladores, EPIs e instrumentos diagnósticos, Pequim interveio por meio da chamada “diplomacia das máscaras”. Mesmo diante de limitações produtivas, restrições comerciais e obstáculos logísticos, fabricantes chineses conseguiram oferecer acesso rápido e a custos competitivos a equipamentos médicos em um momento em que poucos outros países tinham capacidade – ou disposição – para fazê-lo.

Como consequência, produtos chineses – de equipamentos avançados de diagnóstico por imagem em hospitais brasileiros a insumos básicos em clínicas peruanas – tornaram-se onipresentes em toda a América Latina. Esse predomínio não se sustentou apenas no preço, mas sobretudo na disponibilidade e na ausência de alternativas viáveis durante uma emergência global. Nos anos seguintes, essa dinâmica se consolidou, com as importações chinesas de produtos médicos frequentemente superando as de origem norte-americana em diversos mercados da região.

Os produtos médicos chineses, que representavam 25% das importações da América Latina em 2018, aumentaram sua fatia para 34% em 2024. No mesmo período, a participação dos Estados Unidos nas importações regionais recuou de 38% para 28%. Essa tendência foi particularmente evidente em países como Brasil, Colômbia e Chile, onde produtos chineses já respondem por mais de 50% de todos os dispositivos médicos importados.

O choque de curto prazo: um realinhamento forçado

A nova postura assertiva dos Estados Unidos tende a desestabilizar quase de imediato esse cenário hoje dominado pela China. No curto prazo, é razoável esperar que Washington explore suas vitórias políticas – como a neutralização do regime de Maduro – e as campanhas de pressão exercidas sobre México e Colômbia para impor uma guinada comercial na região.

Ao longo dos próximos 24 meses, é provável que se inicie a reabertura de um mercado de saúde há muito tempo paralisado na Venezuela. Curiosamente, a apropriação dos ativos petrolíferos venezuelanos e a queda do regime de Maduro também exerceram pressão imediata sobre o já frágil sistema cubano, o que torna plausível que Cuba seja o próximo mercado a se abrir aos investimentos externos.

Os sistemas de saúde de Venezuela e Cuba precisarão ser amplamente redesenhados. O foco inicial será a ampliação do acesso à atenção primária, enquanto os investimentos em hospitais especializados tendem a ocorrer em um segundo momento. Oportunidades imediatas surgirão em praticamente todos os segmentos do sistema de saúde – da reconstrução da infraestrutura hospitalar a soluções de tecnologia, equipamentos, dispositivos médicos, insumos e produtos farmacêuticos. Modelos de infraestrutura, distribuição, manutenção e financiamento precisarão ser reavaliados e, em muitos casos, reconstruídos do zero.

Nos mercados já estabelecidos, é plausível esperar exigências explícitas, ou orientações formuladas em termos contundentes, para que ministérios da Saúde latino-americanos passem a priorizar parcerias com empresas dos Estados Unidos, em detrimento de alternativas como os atuais acordos comerciais com a China. Esse direcionamento pode ser viabilizado por meio de acordos de livre comércio, tarifas, mecanismos de financiamento ou mesmo condicionado a concessões comerciais mais amplas. Países que não querem ser o próximo alvo de pressões norte-americanas ou que buscam se beneficiar de uma relação mais estreita com um Washington em retomada de protagonismo provavelmente se alinharão rapidamente a essa dinâmica.

Apesar do entusiasmo em torno da abertura de novos mercados e das oportunidades comerciais potenciais, é prudente reconhecer o alto grau de incerteza que permeia o contexto atual. Embora o mercado possa recompensar ações rápidas, a volatilidade desse cenário pode transformar decisões precipitadas em iniciativas de elevado custo. Recomenda-se, portanto, muita cautela.

Implicações de longo prazo: fragmentação e ressentimento

Embora essas novas intervenções nos mercados latino-americanos possam oferecer aos Estados Unidos ganhos de mercado no curto prazo, as implicações de longo prazo são consideravelmente mais nuançadas e complexas. Em uma região onde cerca de 70% da assistência médica é prestada pelo setor público e os orçamentos são restritos, fatores determinantes de mercado (como o preço) dificilmente deixam de pesar nas decisões. É improvável que os países latino-americanos abandonem por completo os vínculos comerciais com a China, mesmo sofrendo pressão dos Estados Unidos.

Embora produtos norte-americanos possam recuperar parte do espaço perdido, é pouco realista supor que fabricantes chineses sejam efetivamente excluídos desse mercado. Em vez de priorizar produtos norte-americanos por seus benefícios tecnológicos ou comerciais, os países provavelmente adotarão uma postura de balanceamento estratégico, adquirindo equipamentos norte-americanos de alta tecnologia para atender às expectativas de Washington, enquanto mantêm, de forma discreta, o abastecimento de insumos e tecnologias de médio porte junto à China, como forma de preservar a viabilidade orçamentária.

Além disso, abordagens excessivamente impositivas tendem a gerar ressentimento. Ainda que países latino-americanos possam ceder temporariamente à pressão dos Estados Unidos, no longo prazo a tendência é que busquem recuperar maior autonomia estratégica.

A China, por sua vez, também tende a se adaptar. Em vez de limitar sua atuação à exportação de produtos, Pequim pode aprofundar sua estratégia por meio da localização da produção na América Latina, contornando barreiras comerciais e se integrando de forma mais profunda à economia regional através de transferências de tecnologia – um campo no qual os Estados Unidos, historicamente, têm se mostrado mais reticentes.

Desafios e ajustes em uma nova ordem mundial

A captura de Nicolás Maduro e a pressão exercida sobre aliados estratégicos sinalizam um ponto de inflexão definitivo nas relações entre os Estados Unidos e a América Latina. A era da competição passiva chegou ao fim. Em última análise, as mudanças no equilíbrio de poder na região não se limitam a manobras políticas; trata-se de abalos econômicos com implicações profundas para o comércio cotidiano.

O mercado de equipamentos e dispositivos médicos funciona como um microcosmo eloquente dessa disputa mais ampla, caracterizada por uma interseção direta entre ambições geopolíticas e necessidades de saúde pública e interesses comerciais. Não há dúvida de que os próximos anos serão marcados por um delicado equilíbrio entre diplomacia, incentivos econômicos e parcerias estratégicas, com os países latino-americanos buscando se posicionar em um mundo cada vez mais moldado pelas ambições concorrentes das grandes potências globais.

Próximos passos

Posicione sua marca para as profundas mudanças que vêm se desenhando na América Latina. À medida que Washington reafirma sua predominância na região, os setores de dispositivos médicos e farmacêutico enfrentam sua mais significativa disrupção dos últimos anos. Antecipe tendências emergentes e compreenda os riscos de acesso a mercados com as pesquisas especializadas da GHI. Entre em contato conosco hoje mesmo para saber como nossos dados podem ajudar a sua empresa a se manter à frente da concorrência.

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O futuro cirúrgico da América Latina: quais são as áreas em que os hospitais investirão daqui para a frente https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/o-futuro-cirurgico-da-america-latina-quais-sao-as-areas-em-que-os-hospitais-investirao-daqui-para-a-frente/ Tue, 25 Nov 2025 15:22:25 +0000 https://globalhealthintelligence.com/analises-da-ghi/o-futuro-cirurgico-da-america-latina-quais-sao-as-areas-em-que-os-hospitais-investirao-daqui-para-a-frente/ Uma percepção comum acerca dos hospitais e centros médicos da América Latina diz respeito a seu atraso em relação aos centros dos Estados Unidos e da Europa no que tange à adoção de novas tecnologias. Nos últimos anos, porém, observam-se movimentos que questionam essa tendência.

Vários países da região começaram a adotar dispositivos e equipamentos cirúrgicos mais avançados. Verifica-se, em particular, expressivo crescimento dos equipamentos minimamente invasivos usados em endoscopias, laparoscopias ou procedimentos assistidos por robô. Apresentamos abaixo uma análise mais detalhada dos números.

Endoscopia

Uma tecnologia médica que tem exibido crescimento significativo e que deve crescer ainda mais nos próximos anos é a endoscopia. O endoscópio é um tubo comprido e flexível que pode ser introduzido no corpo para examinar órgãos internos com uma luz e uma câmera. Em muitos casos, instrumentos cirúrgicos podem ser inseridos através de um canal no endoscópio para remover tecidos ou executar outros procedimentos cirúrgicos.

Costuma-se pensar nos endoscópios como instrumentos destinados a procedimentos digestivos, com sua introdução sendo realizada pela boca ou pelo ânus, mas há também outras modalidades de endoscopia, como a artroscopia, a cistoscopia e a histeroscopia, entre outras.

Nos últimos anos, observa-se um crescimento consistente nos procedimentos endoscópicos na América Latina, com a expansão dos endoscópios superando a de outros equipamentos cirúrgicos. Em 2013, por exemplo, a “base instalada” de equipamentos cresceu, em termos gerais, apenas 4,7% na região, porém o número de endoscópios se expandiu a uma taxa de 10,2%, com as torres de endoscopia apresentando crescimento de 13,7%.


  • Faturamento do mercado latino-americano de dispositivos endoscópicos em 2025: US$ 2,2 bilhões
  • Projeção de faturamento do mercado até 2030: US$ 3,1 bilhões
  • Projeção da taxa de crescimento anual composta (CAGR): 7,14%

A expansão do mercado de endoscopia é consistente em toda a região, mas os principais mercados, como Argentina, México e Brasil apresentam crescimento particularmente sólido, com CAGRs projetadas de 13,6%, 10,1% e 9,7%, respectivamente.

Laparoscopia

A laparoscopia é uma modalidade de endoscopia, sendo utilizada especificamente para examinar e tratar os órgãos do abdome e do sistema reprodutivo através de uma incisão no abdome. Como outros equipamentos endoscópicos, porém, os dispositivos laparoscópicos registraram crescimento expressivo na América Latina nos últimos anos – e tudo indica que essa expansão continuará a acontecer em ritmo vigoroso.


  • Faturamento do mercado latino-americano de dispositivos laparoscópicos em 2023: US$ 2,35 bilhões
  • Projeção de faturamento do mercado até 2033: US$ 4,61 bilhões
  • Projeção da taxa de crescimento anual composta (CAGR): 7,79%

Como se observa em relação aos equipamentos endoscópicos em geral, os dispositivos laparoscópicos registram crescimento em toda a região, mas a expansão é particularmente sólida em países como Brasil e México, onde a taxa de crescimento em 2023 chegou a 12,9% e 9,2%, respectivamente. No Chile, o mercado de equipamentos laparoscópicos também mostrou crescimento significativo, com aumento de 12% em 2023, ao passo que na Argentina e Colômbia a expansão foi um pouco menos acelerada, com aumentos de 5% e 4,9%, respectivamente.

Robôs cirúrgicos

O mercado de cirurgias assistidas por robô vem se expandindo no mundo inteiro e, embora o volume de procedimentos dessa natureza na América Latina ainda seja modesto, seu crescimento é significativo, o mesmo acontecendo com a expansão projetada para os próximos anos.


  • Faturamento do mercado latino-americano de robôs cirúrgicos em 2024: US$ 246,6 milhões
  • Projeção de faturamento do mercado até 2033: US$ 573,2 milhões
  • Projeção da taxa de crescimento anual composta (CAGR): 9,8%

Neste segmento, a demanda no Brasil e no México também se mantém à frente da observada no restante da região, mas a expansão é generalizada em toda a América Latina e o faturamento deve continuar a crescer ao longo da próxima década.

O que impulsiona o aumento da demanda?

Como indicam esses números, a América Latina está pronta para investir mais recursos na atualização de sua tecnologia médica e pretende modernizar suas instalações hospitalares com equipamentos e dispositivos de última geração. O que teria motivado essa transformação na região? A resposta é multifacetada, mas uma hipótese é que a pandemia de Covid-19 pôs em evidência muitas das carências do sistema de saúde da região. De lá para cá, gestores e pacientes estão em busca de tratamentos de melhor qualidade, e isso exige tecnologia mais avançada.

Obviamente, há também outros fatores em jogo. Por estarem mais bem informados sobre os procedimentos médicos menos invasivos que podem ser realizados atualmente com o uso de dispositivos endoscópicos, laparoscópicos e robóticos, os pacientes exigem a adoção dessas tecnologias em seus tratamentos. Além disso, problemas crônicos de saúde, como obesidade, doenças cardíacas e diabetes, também vêm se tornando mais prevalentes, o que exige um maior volume de diagnósticos e procedimentos a serem realizados com esses aparelhos.

As atualizações com equipamentos de ponta geram benefícios para os estabelecimentos hospitalares e para os pacientes. Procedimentos menos invasivos, como endoscopia, laparoscopia e cirurgia assistida por robô, têm melhores resultados e permitem internações de menor duração. Isso gera taxas maiores de satisfação entre os pacientes e possibilita que os hospitais atendam um número maior de pacientes em períodos mais curtos de tempo.

Obstáculos à adoção

Como acontece com todas as mudanças tecnológicas, a atualização dos estabelecimentos hospitalares implica certos desafios. Os novos equipamentos têm preços elevados, e são poucos os hospitais públicos que dispõem dos recursos necessários para implantar projetos de modernização abrangentes. Assim, o crescimento no número de dispositivos e equipamentos, em particular no caso de robôs cirúrgicos, é mais acelerado nos hospitais privados do que nos públicos. Não obstante, no caso de muitos procedimentos, dispositivos como os endoscópios e os laparoscópios são cada vez mais considerados padrão de tratamento, o que pressiona os sistemas públicos de saúde a se atualizar, independentemente dos custos envolvidos.

Outros obstáculos incluem o treinamento ou a contratação de profissionais de saúde para operar esses novos dispositivos e equipamentos, o que pode tornar os custos e os desafios muito maiores do que a simples aquisição dos aparelhos. No entanto, a maior parte dos hospitais relata benefícios de longo prazo em termos de eficiência, resultados e satisfação dos pacientes ao realizar esses investimentos iniciais.

Principais conclusões para as empresas do setor de saúde

Se a sua empresa atua no mercado de dispositivos e equipamentos cirúrgicos, os números acima indicam com clareza que os próximos anos devem ser palco de forte crescimento em toda a América Latina, particularmente nos segmentos de endoscópios, laparoscópios e robôs cirúrgicos. O momento de ajustar a sua estratégia de vendas é agora, não apenas no caso dos hospitais privados, mas também em relação aos sistemas públicos de saúde que estão tentando se atualizar para atender as demandas dos pacientes.

Conte com a GHI e seu portfólio de soluções de dados, como o HospiScope e o SurgiScope, para analisar os estoques hospitalares e concentrar a estratégia da sua empresa nos pontos onde estão as maiores necessidades. Não há a menor dúvida de que esse mercado continuará a crescer — portanto é hora de concluir e implementar a sua estratégia de vendas para 2026 e para os próximos anos.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências cirúrgicas e seu potencial impacto sobre os mercados de dispositivos e equipamentos médicos na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Fontes:

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Tendências em doenças emergentes na América Latina: o que os dados revelam https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/tendencias-em-doencas-emergentes-na-america-latina-o-que-os-dados-revelam/ Tue, 25 Nov 2025 15:04:34 +0000 https://globalhealthintelligence.com/analises-da-ghi/tendencias-em-doencas-emergentes-na-america-latina-o-que-os-dados-revelam/ Mariana Romero Roy

Embora a América Latina tenha realizado avanços importantes nas últimas décadas em termos da qualidade dos serviços de saúde e da prevenção de doenças, suas populações ainda permanecem mais vulneráveis a certas enfermidades contagiosas do que as de regiões mais ao norte do planeta. Entre essas enfermidades, incluem-se doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya. Ao mesmo tempo, tendências em doenças emergentes que afetam todas as regiões do mundo, como cepas de bactérias resistentes a antibióticos, também são um problema crescente nos países latino-americanos.

Causas e soluções

Alguns dos fatores que levam à prevalência dessas doenças na América Latina, como o clima e os organismos associados (vetores biológicos) — cuja persistência é favorecida pelas condições climáticas da região —, são de difícil controle. Apesar desses obstáculos, os órgãos de saúde e as autoridades locais continuam a adotar medidas para conter a transmissão dessas doenças.

Vejamos mais detalhadamente como a propagação dessas enfermidades e os esforços para combatê-las vêm impactando as estratégias de saúde em toda a América Latina e de que maneira os produtos e serviços da sua empresa podem tomar parte nessas iniciativas.

Uma análise mais detalhada dos dados sobre doenças

Em 2023, um grupo de pesquisadores publicou na Revista Panamericana de Salud Pública uma revisão sistemática de 95 estudos sobre dengue, chikungunya e zika na América Latina e no Caribe. Embora a dengue seja comum em regiões tropicais e subtropicais há décadas, os pesquisadores verificaram um aumento substancial na prevalência da doença nos últimos dez anos.

A zika e a chikungunya são doenças mais recentes na América Latina e apresentam um padrão similar de transmissão. Datam de 2013 os primeiros registros de infecção por zika e chikungunya na região, e em ambos os casos a prevalência atingiu seu pico por volta de 2015, tendo regredido nos últimos anos.

Historicamente, o Brasil e a região do Cone Sul, que inclui Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, concentram o maior número de infecções. Nos últimos anos, porém, a propagação mais acelerada de dengue é a que se observa na América Central e no México. Os pesquisadores suspeitam que ondas de calor, tempestades tropicais e outros eventos climáticos severos podem estar impulsionando essa alta na transmissão. Com efeito, os especialistas em saúde pública preocupam-se com a possibilidade de que esses fatores provoquem um aumento nas infecções de dengue, chikungunya e zika nos próximos anos.

Fatores em jogo

Como seria de esperar, fatores ambientais e socioeconômicos parecem desempenhar papel importante na prevalência e transmissão dessas doenças na América Latina. Observa-se, por exemplo, forte associação entre climas tropicais e subtropicais com a transmissão de zika e chikungunya, ao passo que é em regiões de clima semiárido que a transmissão de dengue é mais propensa a ocorrer. É interessante observar que as temperaturas elevadas, o tempo seco e os altos índices pluviométricos estão associados com a propagação das três doenças.

Os fatores econômicos também influem: indivíduos de nível socioeconômico mais baixo que vivem em regiões densamente povoadas correm maior risco de se contaminar e transmitir as doenças.

Bactérias resistentes a antibióticos

Outra tendência em doenças emergentes na América Latina em que vale a pena prestar atenção é a proliferação de cepas de bactérias resistentes a antibióticos. Trata-se de uma tendência que obviamente não se restringe à América Latina: sua prevalência vem crescendo tanto nos países latino-americanos como em outras regiões do planeta. De acordo com artigo publicado em junho de 2025 no American Journal of Medicine, houve em 2019 cerca de 5 milhões de óbitos associados a bactérias resistentes a antibióticos, sendo que 11,5% dessas mortes ocorreram nas Américas.

É possível que a América Latina se mostre particularmente vulnerável a esse problema nos próximos anos. Levantamentos indicam que a região se caracteriza por um uso excessivo de antibióticos com finalidades médicas, veterinárias e de produtividade, o que pode resultar em uma combinação crítica de fatores que favorecem o surgimento de cepas de bactérias resistentes a antibióticos. Pesquisa publicada no periódico Lancet mostra que 322 mil pessoas morreram devido à resistência a antibióticos na América Latina e no Caribe em 2021. E as projeções sugerem que esse número pode chegar a 650 mil até 2050, deixando a região com uma das mais altas taxas mundiais de óbitos associados à resistência bacteriana a antibióticos.

Iniciativas regionais para deter a propagação

A despeito dos desafios, organizações mundiais e locais de saúde vêm somando forças para tentar conter a propagação na América Latina da dengue, da chikungunya e da zika, bem como das bactérias resistentes a antibióticos. Em outubro de 2024, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde lançou um plano estratégico global para combater a dengue e outras doenças como chikungunya e zika. O plano apresenta estratégias para monitorar, gerenciar, controlar e reduzir a transmissão das doenças.

Outra iniciativa interessante adotada pelo World Mosquito Program é a criação e a liberação estratégica de mosquitos com Wolbachia, uma bactéria segura e natural que impede os mosquitos de transmitir os vírus da dengue, da chikungunya e da zika. Quando são liberados em determinada área, esses mosquitos começam a se acasalar com outros mosquitos, transmitindo a Wolbachia e contendo a disseminação das doenças. O projeto está sendo implementado no Brasil, no México, na Colômbia e em El Salvador, assim como em países de outras regiões.

No que se refere às bactérias resistentes a antibióticos, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Global Antibiotic Research & Development Partnership (GARDP) têm como foco ampliar o acesso a antibióticos e outros medicamentos inovadores na região para reduzir o alto número de óbitos projetados para os próximos 25 anos. Com a ampliação do acesso a medicamentos de ponta, a América Latina terá os recursos necessários para combater a propagação das bactérias resistentes a antibióticos e seu impacto letal.

Principais conclusões para as empresas do setor de saúde

No combate que as organizações mundiais, regionais e locais de saúde movem contra as ameaças cada vez mais crônicas associadas a essas doenças emergentes, os suprimentos, fármacos e equipamentos médicos necessários a um diagnóstico, tratamento e cura adequados e exitosos são parte fundamental da equação para reduzir a mortalidade e tornar o cenário geral mais favorável para a região.

A difícil realidade é que a necessidade de suprimentos médicos relacionados ao tratamento da dengue, da chikungunya, da zika e das infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos tende a crescer em toda a região nos próximos anos. As empresas que estiverem bem posicionadas para fornecer esses medicamentos e aparelhos podem ter papel decisivo na redução do grau de letalidade dessas enfermidades na região.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências em doenças emergentes e seu potencial impacto sobre os mercados de medicamentos e equipamentos médicos na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Fontes:

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Sustentabilidade no setor de saúde: tecnologias e práticas ecológicas na América Latina https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/sustentabilidade-no-setor-de-saude-tecnologias-e-praticas-ecologicas-na-america-latina/ Sun, 26 Oct 2025 22:03:23 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/sustentabilidade-no-setor-de-saude-tecnologias-e-praticas-ecologicas-na-america-latina/ Mariana Romero Roy

A ideia de sustentabilidade vem sendo incorporada por muitos mercados globais, e o setor de saúde não está imune a essa tendência. Trata-se, em síntese, da adoção de práticas e tecnologias ecológicas que tornem mais sustentáveis as operações da sua empresa ao longo do tempo. Em alguns casos, a sustentabilidade também gera redução de custos, configurando-se como uma alternativa ainda mais promissora para as empresas que lideram o setor.

O impacto da sustentabilidade no setor de saúde

Para as empresas do setor de saúde o impacto da adoção de práticas sustentáveis pode ser abrangente e de longo alcance, proporcionando ganhos de eficiência não apenas na prestação dos cuidados de saúde em si, mas nas operações hospitalares como um todo, incluindo iluminação LED, fontes alternativas de energia e veículos com consumo de combustível mais baixo. Trata-se de um tema amplo, mas que vem ganhando força em âmbito mundial nos últimos anos. De fato, a American Hospital Association atualmente disponibiliza o guia Sustainability Roadmap for Health Care, que apresenta boas práticas para instituições hospitalares interessadas em criar e implementar metas de sustentabilidade.

Práticas sustentáveis no setor de saúde latino-americano

Embora frequentemente se tenha a impressão de que a América Latina permanece atrasada em relação às práticas adotadas nos Estados Unidos e na Europa, o fato é que muitos países da região tornaram-se centros de inovação em áreas como as de biofármacos e telemedicina. A sustentabilidade é outra área em que os hospitais e centros médicos latino-americanos vêm realizando grandes avanços, com novos medicamentos e tecnologias impulsionando a sustentabilidade na região.

Em se tratando de iniciativas “ecológicas”, algumas práticas que os hospitais podem adotar para se tornar mais sustentáveis são bastante óbvias, como, por exemplo, o uso de iluminação LED em vez de lâmpadas incandescentes, ou a busca de fontes alternativas de energia, como a energia solar.

No entanto, há outras práticas na atenção à saúde que também são consideradas sustentáveis por reduzirem ineficiências e proporcionarem melhorias para a qualidade de vida dos pacientes. A adoção em larga escala da telemedicina, por exemplo, pode ser entendida como uma prática sustentável, pois oferece serviços de saúde de qualidade para mais pessoas de forma mais acessível, além de reduzir ou eliminar o tempo de deslocamento entre a residência do paciente e o hospital. Até mesmo iniciativas de prevenção podem ser consideradas sustentáveis. Quando se mostram eficazes, elas reduzem o número de pessoas que precisam ser diagnosticadas e tratadas.

Outras práticas sustentáveis adotadas pelo setor de saúde latino-americano nos últimos anos dizem respeito ao foco na inovação e na produção em nível local. Isso fica particularmente em evidência quando se considera a expansão do mercado de biofármacos na região. Com o relaxamento das exigências regulatórias e o incentivo à produção local de vacinas e outros medicamentos, a América Latina está reduzindo suas importações — o que não apenas é economicamente mais eficiente, como ambientalmente mais sustentável.

Práticas sustentáveis de sucesso

Basta olhar para algumas práticas sustentáveis adotadas na região para se constatar o impacto desses novos desdobramentos no setor de saúde latino-americano. Um exemplo é o guia Smart Hospitals Toolkit, elaborado pelo escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que auxilia os hospitais da região a se tornarem ambientalmente sustentáveis e resilientes em face de desastres naturais e outros eventos. Além disso a OMS publicou recentemente diretrizes para garantir que as instituições hospitalares sejam resilientes às mudanças climáticas e ambientalmente sustentáveis.

Outra entidade que vem promovendo a sustentabilidade no setor de saúde é a Agenda Global para Hospitais Verdes e Saudáveis, que por vários anos abrigou a Conferência Latino-americana na região para celebrar as contribuições dos hospitais regionais. Um integrante dessa organização é o Hospital San Rafael de Pasto, da Colômbia, que se comprometeu com a redução de seu impacto ambiental por meio de programas voltados para a gestão de resíduos, água e fornecedores.

Desde 2015, o hospital vem realizando grandes avanços nessa área, equipando 90% de seu sistema de iluminação com lâmpadas LED e trocando aparelhos elétricos por modelos certificados com nível A de eficiência energética. Há também abastecimento de energia solar em toda a operação. Além disso, o hospital contribuiu com uma iniciativa do governo local chamada “um milhão de árvores na cidade de Pasto”, adquirindo um terreno de um hectare para plantar 6 mil árvores de espécies nativas.

Outra história de sucesso na região é a do Hospital Clínica Bíblica, da Costa Rica. Desde que começou a adotar iniciativas ligadas à sustentabilidade, em 2016, o hospital vem implementando diversas estratégias, incluindo a instalação de painéis de energia solar, a compostagem de resíduos alimentares, o reuso de água da chuva, o incentivo ao uso racional de água potável e a redução do uso de gases anestésicos. Esses esforços renderam ao hospital 15 prêmios, incluindo um prêmio de Ouro por Redução de Gases de Efeito Estufa (GEE) em Energia, um prêmio de Prata por Energia Renovável e um prêmio de Ouro por Liderança Climática, entre outros.

Sustentabilidade com acessibilidade

Para as regiões e organizações que contemplam a adoção de iniciativas sustentáveis, um possível obstáculo são os custos percebidos. Ainda é comum a percepção de que as práticas ecológicas são excessivamente dispendiosas. No entanto, segundo a Siemens Healthineers, um dos grandes mitos relacionados com as práticas sustentáveis é a noção de que “a sustentabilidade é muito cara”. Na realidade, as instituições hospitalares que implementam práticas ecológicas acabam economizando recursos no longo prazo.

Pesquisa realizada pela McKinsey sobre esse tópico mostra que as empresas que investem em fontes de energia sustentável reduzem seu consumo em até 30%. Isso significa que o investimento inicial mais elevado com frequência é compensado em prazo razoavelmente curto por contas de energia mais baratas.

Em se tratando especificamente de equipamentos médicos, muitos fabricantes oferecem programas sustentáveis que geram economias imediatas para o hospital. As atualizações de sistemas e os programas de reforma, por exemplo, têm custos de capital mais baixos e são mais ecológicos do que o investimento em novos equipamentos.

Principais conclusões para as empresas do setor de saúde

As iniciativas ecológicas e de sustentabilidade são uma tendência crescente em âmbito mundial, estando especificamente em alta na América Latina. À medida que mais regiões e organizações se deem conta de que os investimentos iniciais nesses produtos e tecnologias podem levar a economias substanciais no longo prazo, a tendência deve se intensificar.

Se a sua empresa é uma fornecedora de equipamentos ou dispositivos médicos com atuação em mercados latino-americanos, pode ser útil submeter suas iniciativas de sustentabilidade a uma avaliação e verificar de que maneira elas podem apoiar os esforços que vêm sendo empreendidos na região. Algumas tendências tecnológicas, como a telemedicina e os prontuários eletrônicos de saúde, contribuem naturalmente para as iniciativas de sustentabilidade, ao aumentar a acessibilidade e a eficiência na atenção à saúde, de modo que os produtos relacionados com a adoção dessas tecnologias por instituições hospitalares tendem a andar de mãos dadas com a sustentabilidade.

Para dispositivos e equipamentos médicos de maior porte, vale a pena considerar programas como a atualização de sistemas no que tange a equipamentos já em uso ou as iniciativas de reforma, caso sua empresa já não esteja explorando tais alternativas. Esses programas vêm despertando o interesse de hospitais e sistemas de saúde que buscam reduzir custos, além de ter a vantagem adicional de serem sustentáveis e ecológicos. Com as instituições hospitalares adotando cada vez mais iniciativas de sustentabilidade, esses programas provavelmente despertarão interesse ainda maior.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências de sustentabilidade e seu potencial impacto sobre o setor de saúde na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores está pronta para elaborar as análises de que a sua empresa necessita para ter em mãos insights valiosos e fundamentar uma tomada de decisões estratégica no segmento.

Fontes:

 

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O futuro dos biofármacos na América Latina: expansão dos ensaios clínicos e aumento da produção https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/o-futuro-dos-biofarmacos-na-america-latina-expansao-dos-ensaios-clinicos-e-aumento-da-producao/ Sun, 26 Oct 2025 21:40:59 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/o-futuro-dos-biofarmacos-na-america-latina-expansao-dos-ensaios-clinicos-e-aumento-da-producao/ Guillaume Corpart

Embora não sejam uma tecnologia médica nova, os biofármacos, também conhecidos como medicamentos biológicos, avançaram significativamente nos últimos anos e seguem ampliando seu potencial no tratamento de doenças como câncer e diabetes, entre outras. Diferentemente dos medicamentos tradicionais, que são produzidos por meios químicos e compõem-se de pequenas moléculas, os biofármacos são desenvolvidos a partir de células vivas, proteínas, tecidos ou ácidos nucleicos. Em geral, compõem-se de moléculas maiores que os fármacos tradicionais e com frequência são ministrados através de injeções.

Biofármacos em detalhe

Os biofármacos ganharam destaque há alguns anos com o rápido desenvolvimento da vacina contra a Covid-19, mas esse não é o único tipo de medicamento biológico de uso generalizado atualmente. Os diferentes tipos de biofármacos incluem:

  • Um dos primeiros fármacos biológicos a serem desenvolvidos, as vacinas têm contribuído para a erradicação de doenças no mundo inteiro, como varíola e sarampo, entre outras.
  • Anticorpos monoclonais (AcMs). Esses fármacos imitam o sistema imunológico e atuam sobre proteínas específicas para bloquear sua atividade ou destruí-las. São usados no tratamento de doenças autoimunes e alguns tipos de câncer.
  • Terapias genéticas. Trata-se de medicamentos capazes de curar ou tratar doenças genéticas ou infecciosas por meio da introdução de material genético nas células do paciente. Têm sido usados no tratamento de doenças da retina e atrofia muscular espinhal, entre outras.
  • Terapias celulares. Essas terapias incluem os transplantes de células-tronco e envolvem a modificação de células para melhorar ou restaurar sua função. Podem ser usadas no tratamento de leucemia, linfoma e outros transtornos degenerativos.
  • Proteínas recombinantes. Essas proteínas são produzidas em células vivas e incluem enzimas, hormônios e citocinas usados no tratamento de doenças como hemofilia e diabetes, entre outras.

Panorama das vacinas na América Latina

No passado, a América Latina sofria com grande dependência de outras regiões para o fornecimento de vacinas e outros biofármacos. A situação se complicou com a pandemia de Covid-19, quando apenas 15% das vacinas tinham produção local, levando alguns países, como Guatemala, Venezuela e Honduras, a registrar taxas de vacinação inferiores a 25% em outubro de 2021.

Felizmente, a região encarou a experiência como um momento de aprendizado e vem adotando medidas importantes para relaxar exigências regulatórias e incentivar a produção de vacinas e outros fármacos. Em setembro de 2021, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aprovou o Programa Especial, Plataforma Regional de Inovação e Produção, que tem como objetivo ampliar a capacidade de produção de medicamentos e tecnologias médicas essenciais em toda a América Latina. O Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (PROSUL) é outra entidade que vem incentivando a implementação de iniciativas similares.

Esses esforços já começam a dar frutos na região. Em julho de 2024, por exemplo, o laboratório brasileiro Bio-Manguinhos/Fiocruz passou a integrar a rede de fabricantes de vacinas da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) para ajudar a desenvolver respostas mais rápidas e equitativas a futuras ameaças infecciosas. O movimento parece ter dimensões regionais e a expectativa é que o mercado de vacinas em países como México, Colômbia e Chile, entre outros, apresente crescimento nos próximos anos. O quadro abaixo oferece uma visão mais detalhada da situação.

Crescimento dos mercados de vacinas na América Latina, por país

Relaxamento de exigências regulatórias relativas a outros biofármacos

Além das vacinas, as agências reguladoras latino-americanas vêm adotando iniciativas para acelerar e tornar mais eficiente o processo de aprovação de biofármacos, o que deve gerar um ambiente mais favorável para as empresas que pretendem lançar medicamentos nesses mercados.

No Brasil, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) adotou em 21 de janeiro deste ano uma nova resolução que simplifica o processo de introdução de produtos biológicos, incluindo vacinas, radiofármacos e medicamentos genéricos. A resolução também facilita a tramitação de correções, novas indicações, retiradas e outros processos relacionados com produtos farmacêuticos. Para poder recorrer a esse processo simplificado, as empresas devem ter ao menos um outro medicamento ou produto biológico já aprovado no mercado brasileiro.

Outros países latino-americanos, como República Dominicana e Colômbia, anunciaram iniciativas similares nos últimos meses. Em julho de 2024, a Argentina anunciou diversas medidas para relaxar normas que restringiam a atividade no segmento, incluindo a autorização para a comercialização de mais medicamentos genéricos, a redução de barreiras à abertura de novas farmácias e a permissão para que medicamentos que não exigem receita médica sejam vendidos em outros estabelecimentos, além de drogarias.

Por sua vez, o México adotou medidas para incentivar a realização de pesquisas clínicas e ampliar o acesso a medicamentos genéricos e biossimilares. É importante observar que as iniciativas mexicanas não têm uma dimensão estritamente local, visando também a oferta desses medicamentos em mercados como o dos Estados Unidos. Isso indica que os laboratórios farmacêuticos poderão contar nos próximos anos com mercados mais favoráveis e abertos a medicamentos novos ou versões genéricas.

Ampliação da produção

Como assinalam essas mudanças regulatórias, a América Latina está extremamente comprometida com o desenvolvimento do mercado de biofármacos, e as iniciativas adotadas começam a render frutos. O Centro para o Desenvolvimento Global observa que muitos países de renda média, incluindo o Brasil, já se tornaram atores fundamentais no fornecimento mundial de vacinas. Conforme a produção na região continue a aumentar, é possível que mais países também venham a se tornar atores importantes no mercado global de vacinas.

Outro fator a ser considerado na ampliação da produção de biofármacos na América Latina é o papel dos biossimilares e dos medicamentos genéricos. Com a elevação dos preços dos medicamentos especiais, o acesso a alternativas genéricas mais baratas tornou-se fundamental para muitas pessoas que necessitam desses fármacos na região. O relaxamento de restrições regulatórias em países como Brasil, Argentina e Colômbia, entre outros, garantiu maior agilidade para o lançamento de medicamentos genéricos no mercado.

Além disso, com a expansão do mercado desses fármacos na América Latina, ampliou-se o número de profissionais competentes em busca de trabalho no segmento. Muitos estudantes atualmente optam pela carreira em biotecnologia, gerando um influxo de cientistas e outros profissionais capacitados, impulsionando ainda mais as inovações na área.

O quadro abaixo oferece uma visão mais detalhada do crescimento do setor biofarmacêutico na América Latina:

O setor biofarmacêutico latino-americano em números

Ensaios clínicos na América Latina

Uma consequência do crescimento do setor de biofármacos na América Latina é a proliferação de ensaios clínicos na região. Atualmente, a América Latina é o quarto maior mercado do mundo para ensaios clínicos e busca quadruplicar a participação nos próximos anos. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru concentram cerca de 70% dos ensaios clínicos realizados na região.

Os especialistas citam a diversidade da população de pacientes, os custos operacionais mais baixos e o aprimoramento do marco regulatório como motivos que levaram à expansão substancial dos ensaios clínicos na região. Esse desenvolvimento tem contribuído para ampliar ainda mais o papel crescente da América Latina como polo de inovação no segmento de biofármacos.

Principais conclusões para as empresas do setor de saúde

Com o relaxamento das restrições e as medidas adotadas para ampliar a produção e os ensaios clínicos em toda a América Latina, os laboratórios farmacêuticos estão bem posicionados para aproveitar, nos meses e anos que vêm pela frente, essas mudanças no mercado e no contexto regulatório.

Se a sua empresa é uma grande multinacional farmacêutica, com presença significativa nos mercados da região, tudo indica que o seu crescimento terá continuidade, graças aos processos mais eficientes que muitos países estão implementando na análise, aprovação e introdução de medicamentos no mercado. Para esses grandes laboratórios, os próximos anos podem apresentar um desafio interessante, com o acirramento da concorrência devido ao ingresso no mercado de laboratórios farmacêuticos menores, focados na produção de medicamentos genéricos e biossimilares. Para se manter na liderança do setor biofarmacêutico, as empresas de maior porte devem continuar apostando na agilidade de suas operações e na busca constante de inovações.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências do mercado de saúde e seu potencial impacto sobre o segmento de biofármacos na América Latina. Nossa equipe de pesquisadores está pronta para elaborar as análises de que a sua empresa necessita para ter em mãos insights valiosos e fundamentar a tomada de decisões estratégicas no setor.

Fontes:

 

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Estratégias para sobreviver ao clima de incerteza gerado pela imposição de tarifas https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/estrategias-para-sobreviver-ao-clima-de-incerteza-gerado-pela-imposicao-de-tarifas/ Tue, 23 Sep 2025 20:34:41 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/estrategias-para-sobreviver-ao-clima-de-incerteza-gerado-pela-imposicao-de-tarifas/ Guillaume Corpart

As tarifas são o assunto do momento há vários dias, principalmente para quem lida com relações comerciais internacionais e com a realidade diária da venda de dispositivos, equipamentos e suprimentos médicos em diferentes países. A incerteza econômica se transforma rapidamente em insegurança, impondo mais desafios para as áreas de vendas e previsões. Com os EUA promovendo constantes mudanças nas tarifas de importação, esse foi o clima dos últimos meses.

A era das tarifas

Notícias sobre tarifas são constantes desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025. Uma das primeiras grandes mudanças foi o estabelecimento de uma tarifa universal básica de 10% para todos os países, que entrou em vigor em 5 de abril. Países como México, Canadá, China e outros, no entanto, foram atingidos com tarifas ainda mais altas. Também houve a implementação de tarifas sobre produtos específicos, como petróleo, aço, minérios e muitos outros. Entre os fatores que influenciaram a definição das alíquotas estão a percepção de um equilíbrio comercial desfavorável para os Estados Unidos, promessas de mais investimentos e negociações individuais com a Casa Branca.

Um dos efeitos resultantes disso é o chamado “ioiô tarifário”. Praticamente todos os dias os jornais estampam manchetes sobre tarifas, e as alíquotas aplicadas a diferentes países, bens e serviços parecem mudar constantemente. Também não se sabe ao certo quais tarifas foram implementadas e quais ficaram apenas no campo da ameaça. Esse cenário impede que fabricantes e fornecedores de equipamentos saibam quais tarifas serão aplicadas aos seus produtos, em que momento e em quais países.

Efeitos econômicos recíprocos

Além disso tudo, existe o impacto das “tarifas recíprocas”, que alguns países, inclusive a China, impuseram sobre as importações americanas em resposta às medidas tarifárias adotadas pelos EUA. Isso significa que os fabricantes precisam se preocupar com as tarifas instituídas não só pelos EUA, mas por países do mundo inteiro, o que complica ainda mais a situação. É interessante notar que o uso maciço de tarifas no comércio internacional por Donald Trump também pode causar um impacto secundário ao incentivar outros países a adotar a mesma postura.

Um exemplo recente é a tensão comercial entre a União Europeia e a China em relação a dispositivos médicos. Os problemas começaram em junho, quando a Comissão Europeia anunciou que empresas chinesas não poderiam mais participar de licitações públicas na UE para a aquisição de dispositivos médicos com valor superior a US$ 5,8 milhões. Em julho, a China contra-atacou com uma regulamentação parecida direcionada ao bloco europeu. Agora, o governo chinês está proibido de comprar dispositivos médicos da União Europeia que valham mais de 45 milhões de yuans (US$ 6,3 milhões).

As tensões comerciais globais viraram algo muito maior do que uma simples questão de importação limitada aos Estados Unidos. Agora elas são um fator que as empresas devem levar em consideração ao definir preços e estratégias de vendas, não importa o país para o qual exportam ou do qual importam seus produtos.

Como a instabilidade comercial impacta o mercado médico

Muito embora tenham seus defensores políticos, é certo que as tarifas deixam o mercado internacional mais desafiador para todos os participantes. Preços e tarifas estáveis permitem que as empresas se planejem. Elas podem preparar suas estratégias de vendas, estabelecer uma visão para o futuro e criar um plano de crescimento contínuo. Fica mais difícil fazer previsões quando as empresas não sabem como definir os preços de seus produtos em diferentes mercados no dia a dia.

Para o mercado de dispositivos médicos, alguns desafios impostos pelas tarifas são ainda mais complexos e graves. Muitos dispositivos médicos são máquinas grandes e caras, de modo que o impacto das tarifas pode ser enorme para itens que já são muito caros. Além disso, geralmente os aparelhos são montados com materiais provenientes de diferentes partes do mundo, e cada um desses componentes pode já ter sido atingido por tarifas em sua origem. Assim, além da venda, a fabricação desses itens fica cada vez mais complexa e cara.

Por fim, é claro, existe a questão da natureza essencial de muitas dessas máquinas. Embora carros e outros equipamentos caros e complexos sejam inquestionavelmente importantes para manter a economia em marcha, a vida das pessoas depende de equipamentos, dispositivos e produtos farmacêuticos e médicos. A falta deles pode custar muito caro para a região. Isso é especialmente preocupante em uma região como a América Latina, onde 90% dos dispositivos e equipamentos médicos são importados de outros países.

Como a GHI pode ajudar no planejamento de sua estratégia de vendas

Apesar do contínuo desafio global imposto pelas tarifas, a realidade é que o comércio internacional continuará funcionando, principalmente em um mercado de venda de produtos médicos no qual equipamentos e dispositivos são essenciais para o bem-estar da população. Vão se sobressair as empresas com dados de mercado mais atualizados sobre os dispositivos que estão sendo vendidos, os mercados que estão comprando e os preços praticados. Em tempos de incerteza, é inviável operar com os olhos vendados. Sua empresa precisa de inteligência real e acionável para orientar suas decisões à medida que avança.

Uma boa ferramenta para ajudar empresas médicas a tomar decisões fundamentadas é o BrandTrack, da GHI. Ela fornece dados em tempo real sobre quais dispositivos estão sendo vendidos e os mercados que os estão comprando e quem está importando mais ou menos produtos específicos. É como receber informações sobre o impacto das tarifas no mercado em tempo real.

“Com a assinatura do BrandTrack, a empresa pode monitorar a importação de seus dispositivos em vários países para ver onde eles estão e, então, comparar isso com sua abordagem internamente”, diz Mariana Romero Roy, diretora sênior de serviços de inteligência da Global Health Intelligence. “Também é possível ver dados da concorrência no mercado e, com isso, definir suas estratégias de marketing.”

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre o impacto das tarifas no setor de saúde da América Latina e como lidar com seus desafios. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Obsolescência de equipamentos médicos: uma crise oculta em hospitais da América Latina https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/obsolescencia-de-equipamentos-medicos-uma-crise-oculta-em-hospitais-da-america-latina/ Tue, 23 Sep 2025 20:20:43 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/obsolescencia-de-equipamentos-medicos-uma-crise-oculta-em-hospitais-da-america-latina/ Mariana Romero Roy

Quando o assunto é melhorar a saúde da América Latina, grande parte da conversa se concentra na eliminação de desigualdades e na expansão do acesso universal à saúde. No entanto, um problema mais sutil, mas ainda importante, acontece silenciosamente em muitos hospitais e clínicas latino-americanos: equipamentos médicos antigos e obsoletos continuam em operação mesmo muito depois do tempo recomendado.

O problema dos equipamentos antigos

Depender de equipamentos antigos pode ser um problema por vários motivos. Em primeiro lugar, é muito provável que as imagens ou dados fornecidos por essas máquinas não sejam precisos, o que pode causar erros de diagnóstico. No caso das máquinas que emitem radiação, como os aparelhos de raio X, equipamentos velhos podem significar perigo tanto para pacientes como para operadores.

Apesar dessas preocupações, alguns hospitais têm motivos justos para tentar aproveitar ao máximo seus equipamentos mais antigos. Em muitos casos, são instituições públicas com orçamento limitado. Esse fator pode travar os planos de aquisição de longo prazo e, com isso, as máquinas continuam sendo usadas quando já deveriam ter sido descontinuadas. Se acrescentarmos a isso os gargalos na cadeia de suprimento devido ao aumento das tarifas de importação e à incerteza dos preços do comércio internacional, veremos por que o assunto vem despertando tanta preocupação na região.

O que os dados mostram

Embora seja comum ouvir que o percentual de equipamentos médicos obsoletos no mundo em desenvolvimento é de 90% ou mais, os dados reais não são tão terríveis. Mesmo assim, o número mostra que há muito espaço para melhoria em toda a região. Um estudo realizado em 2011 com 112.040 equipamentos médicos instalados em países em desenvolvimento mostrou que, em geral, 38,3% dos aparelhos estavam fora de operação. Ao tempo do estudo, os números eram estes:

País: % de equipamentos fora de operação

  • Belize: 40%
  • Costa Rica: 0.83%
  • El Salvador: 25.51%
  • Guatemala: 17.72%
  • Honduras: 15.54%
  • Nicarágua: 29.11%
  • Panamá: 7.12%
  • Bolívia: 40.50%
  • Colômbia: 45.56%
  • Equador: 40.82%
  • Peru: 43.36%
  • Venezuela: 47%

Evidentemente, alguns desses números já mudaram desde a realização do estudo, mas os resultados certamente mostram uma tendência em toda a América Latina. Ressalta-se que os equipamentos médicos mais importantes, como aparelhos de raio X e esterilizadores, tinham maior probabilidade de estar fora de operação.

Um estudo de caso durante a pandemia de Covid-19

Não há dúvida de que os dados sobre equipamentos obsoletos na América Latina são preocupantes por si sós. Mas o problema fica ainda mais alarmante quando examinamos os impactos de equipamentos médicos ultrapassados no mundo real. Em poucas palavras, uma tecnologia desatualizada pode se tornar um risco para a saúde. Aparelhos defasados podem gerar diagnósticos incorretos, aumentar a indisponibilidade de equipamentos e os custos de reparo, elevar os riscos de exposição à radiação de dispositivos de imagens antigos, dificultar a integração com sistemas tecnológicos de saúde modernos e vários outros problemas.

Um bom exemplo foi o impacto real causado pela obsolescência de equipamentos médicos no México durante a pandemia de Covid-19. À medida que a doença se espalhava, crescia a necessidade de produção rápida de imagens de raio X do tórax, e os equipamentos radiológicos do México não davam conta da tarefa. Em vez de sistemas de radiologia que enviam imagens digitais de alta qualidade para computadores próximos, muitos geradores de raio X do México não eram sequer digitais quando irrompeu a pandemia. A incapacidade do México de atender à demanda momentânea motivou a mudança para sistemas de radiologia digital na região desde então.

Como hospitais e clínicas devem evoluir

O exemplo do mercado de raio X mexicano antes e depois da Covid-19 serve para mostrar como o mercado latino-americano pode e vai evoluir quando for necessário. O problema é que as instituições regionais não devem esperar uma pandemia global para promover as mudanças necessárias para atender seus pacientes.

Hospitais e clínicas da região que mantêm equipamentos atualizados passaram a abordar a questão da modernização do ponto de vista da necessidade de dados. Para isso, organizações de saúde públicas e privadas precisam se reunir e adotar medidas em relação ao ciclo de vida dos equipamentos de suas instalações. Os investimentos estratégicos devem mirar os equipamentos essenciais com maior risco de obsolescência.

A formação de parcerias comerciais entre fabricantes de dispositivos e organizações pode permitir que estas tenham ajuda para prever a obsolescência de seus equipamentos e garantir a aquisição de aparelhos atualizados quando necessário. Muitas empresas de equipamentos médicos também oferecem programas de troca, de forma que as instituições possam modernizar suas máquinas a um custo mais razoável.

Para saber como seu mercado, país ou instituição anda nesse assunto, solicite um relatório personalizado da GHI ou veja como nossas soluções de dados, como o HospiScope e o SurgiScope, podem ajudar no planejamento inteligente de seus equipamentos.

Principais conclusões para empresas médicas

Se você é representante de vendas do setor de saúde na região, os desafios para superar restrições orçamentárias e convencer administradores da importância da atualização podem ser grandes. Uma estratégia que se mostrou eficaz para muitas empresas da região foi manter o foco na mentalidade “bom o suficiente”. Você nunca adotaria essa abordagem no marketing direto com cliente ou em campanhas de relações públicas, mas em se tratando das estratégias de vendas específicas para o setor público da América Latina, “bom o suficiente” pode ser eficaz e gerar boas vendas.

Pense assim: o setor público ainda quer o melhor que pode pagar para seus pacientes, mas a realidade é que talvez não tenha orçamento para o modelo mais moderno e completo do equipamento. No entanto, se conseguir criar uma estratégia para fornecer um modelo confiável de alta qualidade a preço baixo, você terá boas chances de chamar a atenção do setor e manter os contratos por muitos anos.

“Se você falar com hospitais privados, é provável que digam que querem IA, robótica e equipamentos de ponta. Já outros hospitais têm necessidades muito básicas”, diz Hector Orellana, vice-presidente da Medtronic para o Norte da América Latina. “É essencial entender os dois lados para conhecer as diferenças e oferecer os serviços certos para cada instituição. Precisamos ser maleáveis para ajudar todos os pacientes com o máximo de efetividade.”

Próximos passos

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Prontidão hospitalar para terapias avançadas: os hospitais da América Latina estão preparados? https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/prontidao-hospitalar-para-terapias-avancadas-os-hospitais-da-america-latina-estao-preparados/ Sun, 24 Aug 2025 06:40:22 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/prontidao-hospitalar-para-terapias-avancadas-os-hospitais-da-america-latina-estao-preparados/ Mariana Romero Roy

Os avanços tecnológicos, como a digitalização, o aumento do uso da IA ou o advento de diagnósticos e tratamentos avançados, têm o potencial de redefinir completamente o cenário do setor de saúde da América Latina  nos próximos anos. Prontuários eletrônicos melhoram a eficiência e a precisão do tratamento dos pacientes, enquanto a telemedicina pode tornar o cuidado da saúde mais acessível para mais pessoas.

À medida que os sistemas de IA amadurecem, aumentam ainda mais as possibilidades de uso na área da saúde. O diagnóstico pode ficar muito mais preciso e muito mais rápido. Imagens assistidas por IA podem ajudar médicos a detectar problemas que antes seriam ignorados. Elas também podem auxiliar no desenvolvimento de novos medicamentos ou tratamentos em ritmo avançado.

Além disso, é claro, a enorme quantidade de terapias avançadas pode tratar e curar mais doenças, graças a inovações em cirurgia robótica, tratamentos oncológicos e produtos de terapia avançada (PTAs) que envolvem abordagens celulares e genéticas ao tratamento, entre outras.

Acompanhando a inovação tecnológica

Não há dúvidas de que as inovações são muitas e promissoras no mercado de saúde da América Latina, mas, como quase tudo na vida, existem desafios importantes. Para algumas regiões e hospitais é difícil acompanhar o ritmo acelerado das mudanças. Algumas instituições de saúde não conseguem atualizar sua infraestrutura com a agilidade necessária para acomodar as transformações. Outras, geralmente clínicas particulares, têm mais sucesso nessa empreitada. Com isso, acaba-se criando mais desigualdades no mercado de saúde latino-americano.

Estamos prontos para a IA?

Quando o assunto é inteligência artificial, os números indicam uma taxa de crescimento impressionante, que seguirá crescendo em ritmo acelerado nos próximos anos:

  • US$ 19,27 bi – Avaliação do tamanho do mercado de saúde com IA em 2023
  • US$ 188 bi – Previsão do valor do mercado de saúde com IA até 2030
  • 38% – Previsão de crescimento do mercado de saúde com IA entre 2019 e 2027
  • 5% – Previsão da contribuição da IA para o PIB da América Latina até 2030
  • US$ 349 mi – Previsão de receita do mercado de saúde com IA na América Latina até 2030
  • 12,2% – Previsão da taxa de crescimento anual composta (2024-2030)

Embora seja possível identificar avanços em toda a região, Armando Guio Español, pesquisador do Berkman Klein Center da Universidade de Harvard e arquiteto das estratégias de IA de vários países latino-americanos, afirma que infraestruturas atualizadas, que permitam a ampla coleta e organização de prontuários digitais, são essenciais para a expansão do uso da IA na região.

Essa área vem evoluindo a cada dia. “Tenho observado que muitos médicos e pesquisadores da América Latina têm muito interesse em usar IA, mas precisam de dados de mais qualidade”, diz ele. “À medida que os países melhoram seus registros digitais e modelos de dados, começamos a enxergar grandes avanços da IA nos mercados de saúde da América Latina.”

Com efeito, alguns desses avanços já estão se concretizando na América Latina, e a região passou a ser conhecida como um tipo de “campo de ensaio” para essas novas tecnologias. A população é diversificada e composta por pessoas de diferentes origens, o custo de entrada no mercado é mais baixo e as regulamentações são mais favoráveis para a IA. As empresas, notando isso, estão trazendo suas novas tecnologias para o mercado latino-americano.

O Brasil, especificamente, tomou a dianteira na inovação em IA com a promulgação recente de uma lei, além das políticas favoráveis da ANVISA, sua agência nacional de saúde. O Centro de Inteligência Artificial produz avanços no Brasil desde 2020, resultando em pioneirismo na integração da tecnologia de IA a tecnologias de imagem, como raios X, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas. A IA também é usada no Brasil em telemedicina, descoberta de medicamentos e ensaios clínicos.

Essas políticas já incentivaram empresas de saúde inovadoras, como a Noul, a entrar no mercado latino-americano. Outras partes da América Latina também estão produzindo avanços. A empresa de IA Eden conseguiu um financiamento significativo na região para trazer avanços de tecnologia de imagem médica e processos de diagnóstico. A tecnologia já está sendo usada por vários radiologistas do México, e a empresa planeja expandir suas operações para outros mercados da América Latina nos próximos anos.

O papel cada vez mais importante da digitalização

No mercado de saúde digital, a América Latina também tem mostrado crescimento significativo e provado que possui infraestrutura para suportar avanços rápidos nessa área. Em vários casos, a América Latina é líder em inovação em saúde digital e supera o resto do mundo em financiamento e investimentos:

  • Previsão de crescimento do mercado global de saúde digital em 2024: 5,5%
  • Previsão de crescimento do mercado de saúde digital na América Latina em 2024: 37,6%
  • Previsão de valor do mercado de saúde digital da América Latina até o fim de 2024: US$ 35 bi
  • Percentual de startups de tecnologia de saúde dedicadas a diagnóstico, tratamento e prevenção: 52%
  • Percentual de startups de tecnologia de saúde localizadas no Brasil e no México: 78%

Como podemos ver, há uma explosão de tecnologia de saúde e potencial de inovação na América Latina. O crescimento estimado da região supera o do mundo como um todo. Embora a maior parte da inovação venha do Brasil e do México, esses países não são os únicos atores do setor de tecnologia médica. Chile, Argentina e Colômbia, por exemplo, respondem por 8%, 6% e 6% do total, respectivamente.

Terapias avançadas na América Latina

Em se tratando de terapias avançadas, como cirurgias robóticas, tratamentos oncológicos ou produtos de terapia avançada (PTA) como terapias celulares e genéticas, muitos hospitais de toda a região enfrentam desafios de implementação causados por questões de infraestrutura, regulamentações inconsistentes para os tratamentos e falta de conscientização pública. Novamente, países como o Brasil lideram no aperfeiçoamento das regulamentações e da infraestrutura para PTAs, enquanto outros, como Chile, México e Argentina, ainda estão engatinhando na criação de uma matriz regulamentadora.

No entanto, as pesquisas apontam que até o mercado de terapia avançada vem evoluindo de forma lenta e estável na América Latina e que a região é cada vez mais relevante no cenário global do setor. No Brasil, especialmente, existe um processo estruturado de aprovação de PTAs que já resultou em mais de 100 ensaios clínicos de terapias avançadas concluídos ou em andamento.

Principais conclusões para empresas médicas

Como podemos ver, a América Latina progrediu muito nos últimos anos na adoção de tecnologias de saúde inovadoras, como a IA, a saúde digital e os tratamentos avançados. Embora existam desafios de infraestrutura, muitas regiões e instituições se mostraram dispostas a tomar providências para fazer esses avanços. Isso é uma ótima notícia para fornecedores de equipamentos e fabricantes de dispositivos que querem apoiar esses mercados em crescimento.

Como algumas estatísticas mostram, a desigualdade é um problema de infraestrutura evidente em toda a região. Em resumo, a maior parte do crescimento e inovação acontece no Brasil e no México, mas outros países começam a mostrar avanços. Empresas de dispositivos e equipamentos podem ajudar a região a eliminar essa disparidade identificando os pontos de necessidade e promovendo a atualização de instalações e equipamentos. O conjunto de ferramentas e serviços da GHI é perfeito para identificar essas necessidades e desenvolver uma estratégia de vendas adequada.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para obter mais informações sobre tecnologias inovadoras e emergentes e seu potencial impacto no setor de saúde da América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Tensão comercial entre UE e China: implicações para fabricantes de dispositivos médicos americanos https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/tensao-comercial-entre-ue-e-china-implicacoes-para-fabricantes-de-dispositivos-medicos-americanos/ Sun, 24 Aug 2025 06:29:23 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/tensao-comercial-entre-ue-e-china-implicacoes-para-fabricantes-de-dispositivos-medicos-americanos/ Guillaume Corpart

Entre as inquietações atuais do comércio global, a implementação de tarifas de importação pelos Estados Unidos e pelo presidente Trump tem sido manchete constante. Ainda que os números pareçam estar em fluxo constante, a atual tarifa sobre produtos chineses chegou a 55%, uma das mais altas do mundo. Os produtos europeus que entram nos EUA são taxados atualmente em 10%, com variações por produto e país.

Aumento da tensão entre China e UE

Embora não tenha atraído tanta atenção da imprensa quanto as tarifas americanas, uma tensão menor, mas também importante, acontece entre o governo chinês e a União Europeia. Essa disputa específica pode ter ramificações ainda mais significativas para os fabricantes de dispositivos médicos.

Os problemas começaram em junho de 2025, quando a Comissão Europeia anunciou que empresas chinesas não poderiam mais participar de licitações públicas de dispositivos médicos na UE com valor a partir de US$ 5,8 milhões. A decisão foi motivada pelo argumento de que as empresas europeias de dispositivos médicos não recebiam acesso justo aos mercados chineses.

No entanto, em vez de incentivar a China a abrir seus mercados para mais empresas europeias, a decisão teve o efeito oposto. Em julho de 2025, os chineses praticamente retaliaram a UE com regulamentação semelhante. Agora, o governo chinês está proibido de comprar dispositivos médicos da União Europeia que valham mais de 45 milhões de yuans (US$ 6,3 milhões).

As consequências

O interessante é que esse embate acontece em um momento em que seria vantajosa a união entre UE e China, considerando a crescente tensão com os Estados Unidos. Em vez disso, as tarifas parecem ter o efeito oposto, pois incentivam um comportamento comercial semelhante em outros lugares do mundo.

O impasse entre China e UE ainda é recente, mas as tensões parecem estar escalando. Até agora, palavras duras foram as armas usadas por ambos os lados da guerra comercial, e há poucos sinais de mudança nas políticas para os próximos meses. A China também subiu o tom com a Europa de outras formas, como a imposição de taxas antidumping sobre o brandy europeu e a ameaça de taxação da carne de porco e laticínios.

O que isso significa para fabricantes de dispositivos

O acirramento dessa guerra comercial tem implicações bem aparentes para as empresas de dispositivos médicos que fazem negócios e participam de licitações na China e na UE. As empresas europeias que negociam na China, e vice-versa, certamente perderão vendas em potencial, já que estão praticamente impedidas de vender seus caros dispositivos nesses mercados.

A história é diferente, porém, para empresas de fora da UE que fazem negócio na China, ou para empresas de fora da China que participam de licitações na UE. Para essas organizações, podem existir novas oportunidades nesses mercados, principalmente para fabricantes de dispositivos que competem com aqueles produzidos por empresas europeias e chinesas.

O que esperar do futuro?

Existe, entretanto, a possibilidade de que estejamos assistindo apenas ao ataque inicial de uma guerra comercial global envolvendo os dispositivos médicos. Por isso, as empresas devem acompanhar com atenção o desenrolar das ações nos próximos meses. Não é segredo nenhum que outros mercados além da UE, incluindo a América Latina, receiam o impacto da China sobre seus mercados, especialmente sobre a capacidade de produzir versões mais baratas de dispositivos médicos e superar preços para vencer licitações. Considerando que a América Latina importa quase 90% de seus equipamentos e dispositivos médicos, qualquer movimentação parecida pelos governos latino-americanos poderia causar enorme impacto nos mercados regionais.

O potencial impacto futuro desse conflito comercial é ainda mais evidente para os fabricantes de dispositivos médicos dos EUA que exportam seus produtos para o resto do mundo. Na atual situação, a maioria dos países tem motivos para retribuir a tarifação de alguma forma, seja via taxação recíproca de importações dos EUA ou a adoção de outras medidas. Se o banimento de fabricantes de dispositivos médicos em licitações de outros países deixar de ser uma anomalia e se tornar tendência, os Estados Unidos poderão virar alvo em razão da reciprocidade tarifária.

Principais conclusões para empresas médicas

Embora muito do que se discute aqui seja, até o momento, simples especulação, é importante acompanhar a escalada da tensão entre UE e China e o impasse resultante para os fabricantes de dispositivos médicos nas duas regiões, mesmo que sua empresa ou a região onde você trabalha não sejam diretamente afetadas.

Como sempre, você pode se preparar para navegar com sucesso pelas águas turbulentas desse mercado global confiando na GHI e em suas ferramentas e serviços para refinar suas vendas no mercado da América Latina. Com o BrandTrack, por exemplo, você pode ver quais regiões estão importando mais ou menos produtos específicos e ajustar sua estratégia de forma mais assertiva. Ainda que as tensões aumentem e os preços flutuem, a necessidade de dispositivos médicos valiosos se manterá constante. Por isso, a chave é identificar onde a necessidade é maior e estar pronto para oferecer seus produtos e serviços nesses lugares.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as últimas tensões comerciais e seu potencial impacto no setor de saúde da América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas em seu setor.

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Startups de tecnologia de saúde e polos de inovação na América Latina https://globalhealthintelligence.com/pt-br/analise-de-ghi-pt-br/startups-de-tecnologia-de-saude-e-polos-de-inovacao-na-america-latina/ Wed, 23 Jul 2025 08:46:56 +0000 https://globalhealthintelligence.com/nao-categorizado/startups-de-tecnologia-de-saude-e-polos-de-inovacao-na-america-latina/ Mariana Romero Roy

Com o advento da inteligência artificial (IA), a digitalização e a proliferação dos smartphones remoldando nosso cotidiano, não é surpresa ver o setor de saúde passando por uma revolução semelhante. A integração de tecnologias avançadas, como telemedicina, big data e IA, vem deixando a assistência médica mais acessível, eficiente e inovadora do que nunca.

O papel da América Latina

Embora a América Latina seja frequentemente considerada atrasada no setor de saúde, é interessante observar que os recentes avanços na tecnologia em saúde aparentemente destroem esse mito. Em muitos casos, a América Latina é líder em inovação no cuidado da saúde e supera o resto do mundo em financiamento e investimento na área.


A tecnologia de saúde da América Latina em números

  • Previsão de crescimento do mercado global de saúde digital em 2024: 5,5%
  • Previsão de crescimento do mercado de saúde digital na América Latina em 2024: 37,6%
  • Previsão de valor do mercado de saúde digital da América Latina até o fim de 2024: US$ 35 bi
  • Crescimento no uso de IA em startups latino-americanas entre 2022 e 2024: 6%
  • Percentual de startups de tecnologia de saúde dedicadas a diagnóstico, tratamento e prevenção: 52%
  • Percentual de startups de tecnologia de saúde localizadas no Brasil e no México: 78%

 

Uma região em franca ascensão

Como podemos ver, há uma explosão de tecnologia de saúde e potencial de inovação na América Latina. O crescimento estimado da região supera o do mundo como um todo. Embora a maior parte da inovação venha do Brasil e do México, esses países não são os únicos atores do setor de tecnologia médica. Chile, Argentina e Colômbia, por exemplo, respondem por 8%, 6% e 6% do total, respectivamente. Quando analisamos histórias individuais de sucesso de diferentes países, as contribuições para a tecnologia em saúde em toda a América Latina ficam ainda mais evidentes.

Histórias de sucesso

Em toda a região, startups de tecnologia de saúde já vêm melhorando a qualidade e a eficiência do atendimento de milhões de latino-americanos. Vejamos alguns dos muitos exemplos de inovação encontrados na região.

Unima. Sediada no México, a Unima é uma startup de tecnologia de saúde que presta serviços de diagnóstico médico rápidos e de baixo custo nas áreas rurais do país, onde o acesso a laboratórios é escasso. A ideia é expandir a oferta de atendimento barato e diagnósticos precisos e, ao mesmo tempo, ajudar no controle de doenças infecciosas nessas áreas. Até o momento, a empresa já atendeu mais de 500 mil pacientes.


Mevo. Essa empresa brasileira criou uma plataforma de prescrição digital que permite ao paciente comprar medicamentos prescritos e acessar informações sobre eles em um aplicativo móvel simples de usar. Até o final de 2024, a empresa captou quase US$ 20 milhões em financiamento, o que lhe permitiu expandir e oferecer seus serviços a mais brasileiros.


1DOC3. Na Colômbia, milhões de usuários já descobriram essa plataforma de telemedicina singular, que lhes permite acessar médicos via mensagem de texto e bate-papo em questão de minutos. A 1DOC3 utiliza IA e outras tecnologias para melhorar os tempos de espera e reduzir os custos associados às consultas médicas. A empresa utiliza WhatsApp e outras plataformas comuns para oferecer acesso a atendimento médico até nas áreas mais remotas do país.


Pura Mente. As startups de tecnologia de saúde também cresceram no setor de saúde mental na América Latina, refletindo a demanda crescente por mais atenção a essa área. Um exemplo disso é o Pura Mente, aplicativo argentino de meditação e atenção plena (mindfulness). Desde seu lançamento em 2019, o programa já ganhou mais de um milhão de usuários. O aplicativo é especialmente útil na Argentina, onde o financiamento do cuidado com a saúde mental é historicamente negligenciado.


TRAINFES. A eletroestimulação é uma terapia comum na reabilitação de vários distúrbios neurológicos, como o AVC e as lesões na medula espinhal, mas o tratamento geralmente exige a locomoção do paciente até uma clínica à qual muitos não têm acesso. No Chile, a TRAINFES permite que o paciente receba sessões de terapia remotamente, sem precisar estar presente em uma clínica de reabilitação. Até agora, a empresa já ajudou mais de 10 mil pacientes.

 

Polos de inovação

Um dos maiores motivos do crescimento das startups de tecnologia de saúde na América Latina nos últimos anos é a criação de polos de inovação em toda a região. São áreas dedicadas ao avanço da tecnologia e que frequentemente atraem os investidores necessários para impulsionar esse crescimento.

A Cidade do México, por exemplo, é muitas vezes chamada de “Vale do Silício da América Latina”, e está longe de ser a única a abraçar a inovação tecnológica. Outras cidades são famosas por abrigar startups de tecnologia e investidores, como São Paulo, Buenos Aires, Bogotá, Santiago e muitos outros lugares da América Latina. Essas cidades contam com um número cada vez maior de profissionais talentosos e geralmente oferecem custos menores que outras regiões, o que as torna um destino atraente para empresas de tecnologia e investidores. No fim de 2023, o Fórum Econômico Mundial declarou que a América Latina estava “destinada a ser uma força global em inovação”.

Desafios contínuos

É evidente que manter a inovação na América Latina, assim como ocorre em várias regiões, não é uma tarefa sem desafios. Algumas pessoas são mais lentas em adotar novas tecnologias ou hesitam em confiar nos serviços de saúde digitais. Convencê-las dos benefícios pode demorar. As regras, regulamentos e infraestruturas desatualizadas que regem a assistência médica em muitos países latino-americanos também podem ser um obstáculo ao avanço. Além de atrasar a adoção, isso pode prejudicar a escalabilidade para outros países. Por fim, o financiamento também é um problema para algumas startups. Em alguns casos há falta de investidores, e em outras regiões não há um aproveitamento adequado dos investimentos disponíveis.

Principais conclusões para empresas médicas

Fica claro que as inovações médicas e startups de tecnologia de saúde já são uma realidade na América Latina, e essa tendência só aumentará nos próximos anos. Como fornecedor da região, você pode aproveitar essas tendências mirando no futuro e procurando oportunidades para se associar a empresas que estão ampliando o acesso aos cuidados de saúde por meio de serviços digitais.

Se há plataformas proporcionando mais acesso a telemedicina, receitas médicas, terapias digitais e outras inovações, ser inovador pode ajudar a sua empresa a crescer junto com essas startups. Se os seus serviços se concentram principalmente em hospitais e clínicas, talvez existam maneiras de incluir o que você oferece na onda de serviços digitais de saúde que não para de crescer na região.

Próximos passos

Entre em contato com a GHI para saber mais sobre as tendências de inovação e das startups de tecnologia médica e seu potencial impacto no setor de saúde da América Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode oferecer as análises estratégicas de que você precisa para ter as informações necessárias para tomar decisões estratégicas no seu setor.

 

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